35ª Sessão Ordinária - 30/04/2015
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, deputado Leonel Pavan, srs. deputados, sras. deputadas, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital, público aqui presente na manhã de hoje, quero falar sobre o 1º de Maio, um dia importantíssimo para o Brasil e o mundo.
Também quero falar sobre uma situação que ocorreu, intencional ou mal-intencionadamente, na última segunda-feira, em Xanxerê, quando da presença da presidente Dilma Rousseff.
Conforme reportagem do jornal Notícias do Dia de hoje, da jornalista Kelly Magri, o governador anuncia a garantia de R$ 28 milhões do governo federal para os atingidos pelo tornado nos municípios de Xanxerê, Ponte Serrada e Vargeão.
Eu participei da reunião com a presidente Dilma Rousseff e depois fiquei pasmo com a informação de vários setores da imprensa do estado, que disseram que a presidente veio anunciar R$ 5,8 milhões para Xanxerê. Eu estive na reunião da presidente e para mim ficou muito claro o anúncio - e talvez a presidente deveria ter sido mais enfática no anúncio - do envio de R$ 2,2 milhões para a recuperação das casas que não foram totalmente destruídas, e de R$ 3 milhões para a reconstrução do ginásio que foi destruído.
Também anunciou - e isso não foi dito - que o programa Minha Casa, Minha Vida iria reconstruir as casas, que foram destruídas, das famílias de baixa renda. E ao governador disse que seria feita ainda uma portaria específica para reconstruir todas as demais casas que são de famílias de renda maior e que não se enquadram na faixa do referido programa. Foi isto o que a presidente falou na reunião, e que vários setores da imprensa distorceram e, na minha avaliação, foram maldosos, faltaram com a verdade. E agora o governador confirma que de fato foi isso o que a presidente Dilma Rousseff anunciou para aquele município.
Então, fica feio setores da mídia catarinense usarem desse fato que nunca ocorreu, com certeza, em Santa Catarina. Pela primeira vez a presidente da República foi a Xanxerê acompanhar, sensibilizar-se e encaminhar as respostas à população que tanto sofreu.
É ruim isto num momento tão delicado e impactante - e psicologicamente as famílias foram extremamente atingidas, além do prejuízo financeiro de perder as suas casas, de terem que morar em casas de parentes ou até mesmo em abrigos -: pessoas querendo se aproveitar e fazer politicagem em cima desse momento.
Então, quero registrar na tribuna que fiquei extremamente impactado quando vi algumas figuras da imprensa catarinense, que se dizem responsáveis, neutras, fazerem o que fizeram, lamentavelmente, com a presença da presidente Dilma Rousseff. Talvez foi uma das mais rápidas e importantes repostas que o povo recebeu em um lamentável momento em que a natureza mostrou a sua fúria, destruindo casas e tudo que havia pela frente. A presidente veio ao município, sensibilizou-se e, com certeza, ele terá grandes investimentos para amenizar esses impactos que aquela comunidade teve.
Portanto, apenas quero registrar isso e restabelecer aqui a verdade dos fatos, porque eu vivenciei e posso dar esse testemunho. E houve muita maldade nesse processo que ocorreu na última segunda-feira, e durante a semana, em Xanxerê.
Mas também quero falar do dia 1º de Maio, que será comemorado amanhã. Durante esta semana, e, com certeza, nas próximas semanas, vamos viver grandes embates, e, lamentavelmente, como aquela que vimos ontem, num campo de batalha, no estado de Paraná, na cidade de Curitiba. Nós poderíamos, talvez, criar mais tantos primeiros de maio que mostram essa falta de sensibilidade com as questões sociais, com os trabalhadores no Brasil e no mundo.
O dia 1º de Maio marca essa história de resistência e luta dos trabalhadores, que muitas vezes, sejam os próprios empresários privados ou os próprios governos... E de forma alguma queremos aqui generalizar, porque há empresários que tratam muito bem os seus trabalhadores, pois sabem que eles produzem a riqueza da empresa, mas também há empresários que extrapolam qualquer perspectiva de relação de trabalho digno e justo nas suas empresas.
Portanto, no 1º de Maio temos que fazer essa reflexão de que vivemos num país de grandes disputas de classes. As disputas de classes não morreram, elas estão presentes, sim, e dão-se nos mais diversos espaços, seja na greve dos metalúrgicos de Joinville e região, seja na mobilização desta semana, e dos últimos meses, dos trabalhadores do Paraná. E ontem o governador daquele estado extrapolou todas as perspectivas de diálogo com os trabalhadores. O governador, que é do PSDB, mostrou as suas garras totalmente desproporcionais, atingindo inclusive repórteres da rede Recorde, com os cachorros.
Então, não podemos mais admitir, isso!
Em Santa Catarina, nesta semana, haverá grandes atividades. Houve a mobilização dos trabalhadores em Chapecó, na última terça-feira pela manhã, exigindo melhores condições de trabalho, discutindo o tema das doenças no trabalho e dos exageros que cometem dentro das empresas, onde os trabalhadores, ao invés de ter vida, têm a morte e a doença.
Hoje à tarde, no sul, os trabalhadores estarão mobilizando-se e discutindo o dia 1° de Maio, assim como também amanhã, em várias regiões do Brasil e em Santa Catarina, como, por exemplo, em São Miguel d'Oeste e outras regiões. E, com relação aos trabalhadores do serviço público, queremos destacar os trabalhadores, homens e mulheres, da Educação que estão na luta por melhores condições de trabalho e respeito. Ontem os trabalhadores do Judiciário estiveram nesta Casa fazendo uma grande assembleia também.
Conclamamos, mais uma vez, o governo do estado para dialogar com os trabalhadores da Educação, e também conclamamos o presidente do Tribunal de Justiça para dialogar com os trabalhadores.
Estamos acompanhando questões que entendemos que não são boas para a democracia e para as relações de trabalho.
Recebemos a notícia de que poderá haver prisões de dirigentes sindicais, nos próximos dias, do Sindjusc, dos trabalhadores do Judiciário. Esperamos que isso não se confirme, mas caso seja confirmado, nós, na semana que vem, vamos trazer esse assunto para a tribuna. Nós queremos o diálogo e não o que ocorreu em Curitiba, ontem, quando o governo encaminhou projetos e não houve acordo com os trabalhadores; como aconteceu no debate da terceirização em Brasília, em que os trabalhadores não tiveram a oportunidade de acompanhar a votação. Nós não aceitamos isso, porque aí o Judiciário escolhe um lado, e não pode haver lado. Ele tem que ouvir as representações dos dois lados. E as várias centrais sindicais já fizeram a denúncia de que enquanto o presidente da Confederação Nacional da Indústria passeava livremente dentro da Câmara, os trabalhadores e as suas representações foram barrados na porta do Congresso Nacional.
Então, não aceitamos e não podemos conviver com isso. Nós queremos, sim, construir um diálogo democrático. E não concordamos com esse tipo de afirmação como fez o secretário de Educação, via imprensa, ameaçando as pessoas que estavam mobilizadas pedindo mais dignidade e respeito. Não aceitamos isso do governo, do Judiciário, do Congresso Nacional e de nenhum espaço.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)