6ª Sessão Ordinária - 17/02/2010
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital, como o deputado Valmir Comin já se referiu, a pauta de hoje é necessariamente o Carnaval brasileiro, que é a maior festa popular do mundo. Eu creio que não se pode ter nenhuma dúvida com relação a isto: o Carnaval brasileiro é a maior festa popular de todo o mundo. E é uma festa popular mesmo, pois apesar de participar gente de todos os setores da sociedade, também no bairro, na comunidade pobre e carente as pessoas de bem se reúnem e fazem a sua folia. Mesmo não tendo dinheiro para desfilar nas grandes escolas, mesmo não tendo oportunidade de participar dos bailes em clubes, mesmo não tendo condições econômicas para ir àqueles eventos mais badalados, onde se cobra entrada, de uma forma ou de outra as pessoas fazem a festa nos seus bairros, nas suas comunidades e até mesmo nas suas casas.
Fui convidado para ir ao Carnaval na casa de um amigo, que disse: "Soares, o Carnaval vai ser lá em casa, vamos reunir as famílias e brincar entre nós". Então, é a maior festa popular do mundo, com mais de 100 milhões de pessoas brincando e participando durante cinco dias.
Alguns podem dizer que é um esbanjamento, um desperdício de dinheiro, um absurdo, porque no nordeste, mais precisamente na Bahia, dura dez dias. Nós temos festas de pessoas de outras origens raciais por aí que duram 15 dias. Então, não se pode tratar essa questão com qualquer forma de preconceito, temos que olhar sob o ângulo de que é uma festa popular, que envolve todos os setores da sociedade, pois de uma forma ou de outra, como disse, as pessoas participam e divertem-se.
Alguns veem o Carnaval como possibilidade econômica, como incentivo ao turismo, como uma pequena oportunidade para as pessoas que vão vender água, refrigerante e cerveja nas praias e nos eventos públicos. Isso não deixa de ser verdade, pois o Carnaval também é uma oportunidade econômica, incentivadora do turismo, assim como é a Oktoberfest, na cidade de Blumenau, ou as demais festas de outubro, principalmente no vale do Itajaí.
Outros veem o Carnaval como oportunidade de votos. Enxergam no Carnaval a oportunidade de auferir simpatia popular e conseguir voto. Eu creio que os festejos de Carnaval devem gerar algum resultado, deputado Silvio Drevek, também nesse sentido, principalmente em ano eleitoral. Aliás, no Brasil todo ano é ano eleitoral, porque temos a cada dois anos uma eleição. Um ano é eleitoral e o outro é pré-eleitoral. Então, o Carnaval acaba também sendo uma oportunidade para políticos ou candidatos a político tornarem-se mais conhecidos das comunidades e da população em geral.
Mas eu prefiro ver, neste momento, o Carnaval brasileiro pelo ângulo da cultura popular. Não podemos em hipótese alguma admitir que exista qualquer forma de rebaixamento da cultura. E uso essa expressão por falta de uma melhor. Não é isso! O Carnaval brasileiro é a elevação da cultura nacional. As festas têm-se tornado uma forma de erudição. Os desfiles, os enredos das escolas de samba nos ensinam as histórias da humanidade, ou melhor, o que a maioria de nós, brasileiros, não aprendeu na escola, infelizmente. O Carnaval instrui as pessoas que participam da sua escola de samba, do seu bloco e mesmo as pessoas que ficam em casa acompanhando o desfile pela televisão. Ele é a cultura universal condensada numa música cantada por milhares de pessoas, ensaiada por milhares de pessoas. Então, o Carnaval brasileiro é também cultura erudita e leva conhecimento de graça para a população brasileira, um conhecimento sobre a história e a cultura universal.
Em Florianópolis desfilaram as nossas cinco escolas, a saber: Consulado do Samba, da Caieira do Saco dos Limões; União da Ilha da Magia, da Lagoa da Conceição; Embaixada Copa Lord, do Morro da Caixa; Protegidos da Princesa, do Morro do Mocotó; e Coloninha, do bairro Estreito, conhecido mais popularmente como região da Coloninha mesmo. Essas são as cinco escolas de Florianópolis.
A Consulado do Samba não foi tão feliz no desfile deste ano na sua participação como nos Carnavais anteriores, mas na escolha do seu enredo eu diria que foi muito feliz. Escolheu como enredo o seguinte tema: Guerreiros Vermelhos, heróis a serviço da vida, homenageando o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. E no refrão do seu samba enredo, há a seguinte frase: "Na terra, na água e no ar, em prol da solidariedade, salvando vidas em qualquer lugar."
Essa frase expressa exatamente o que é o nosso Corpo de Bombeiros e poderia ser trabalhada em tantos outros versos pelo Grêmio Recreativo, Esportivo e Social Consulado do Samba. Poderia ter sido trabalhada a participação dos bombeiros no dia-a-dia da sociedade catarinense, salvando vidas aqui e ali; salvando vidas no incêndio ocorrido no Hospital da Caridade, em 1994; no incêndio do Mercado Público; mais recentemente, nas enchentes e desmoronamentos no vale do Itajaí; todos os dias nas rodovias do nosso estado; todas as horas nos lares e lugares onde o catarinense esteja correndo risco de morte. Mas o enredo da Consulado do Samba merece o nosso aplauso e, por que não dizer, a nossa gratidão.
Finalmente, ainda sobre o Carnaval, embora tenha dançado muito pouco, ou nada, deputado Kennedy Nunes, acompanhei, refleti e estudei um pouco sobre isso e fiquei imaginando que nós, brasileiros, deveríamos ser tão bons na política como somos no Carnaval. E fazendo uma reflexão ainda maior, se nós, políticos, estou-me colocando junto, fôssemos tão bons naquilo a que nos propomos quanto os carnavalescos são naquilo que fazem, creio que o Brasil estaria muito melhor.
Imaginem se as obras públicas no Brasil, deputado Silvio Dreveck, como a duplicação da BR-101/sul, a construção de elevados e pontes, como o transporte marítimo e o transporte fluvial, fossem construídas com tanta eficiência, com tanta rapidez e acontecessem de um ano para outro, assim como essas pessoas criam os enredos carnavalescos e conseguem fazer essas maravilhas, que país melhor teríamos, pois o Carnaval é a melhor festa popular do mundo!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)