Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Serafim Venzon

21ª Sessão Extraordinária - 03/08/2010

O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, quero aqui cumprimentar todos os catarinenses que nos acompanham pela TVAL e os ouvintes da Rádio Alesc Digital.

Quero também saudar o dr. Ari Rocha, grande urologista do estado de Santa Catarina, que atende em Florianópolis como médico do Hospital Regional de São José e do Hospital de Caridade. Como ele muitos médicos cumprem a sua tarefa com muito carinho com os pacientes.

Por isso, quero saudar, em nome do dr. Ari Rocha, um grande número de médicos que atendem pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, em todo o estado de Santa Catarina.

Sr. presidente, farei aqui um comentário sobre a questão da saúde. Certamente a área em que a população mostra maior descontentamento é exatamente na questão da saúde.

Apesar de todos os esforços, tanto dos governos municipais quanto do governo estadual e federal, apesar de haver gradativamente momento até de gastos aplicados pelo governo, mesmo assim a deficiência ainda é grande. Poderemos dizer que mesmo que os prefeitos, o estado, a União, tenham feito bastante, mesmo assim, há muito por se fazer.

Na semana passada nós vimos e ouvimos uma notícia extremamente triste, mas que revelou a indignação e revelou como funciona a saúde de Santa Catarina, quando um senhor no município de Correia Pinto, depois de atirar numa enfermeira num posto de saúde, deu uma declaração no mínimo emocionante para quem viu. Dizia ele que depois de passar muitas vezes pelo posto de saúde, naquele ou em outros, de ser mandado para lá e para cá, de um lado para outro, ele com uma doença que em sua opinião era grave, eis que não tinha ainda o diagnóstico, acabou cometendo uma besteira, e de fato foi, atirando na enfermeira.

Espero que aquele ato sirva de exemplo, de reflexão para toda a sociedade, primeira e principalmente por parte do poder público.

Certa vez ouvi uma frase de um padre, meu professor, que dizia que nada do que acontece é em vão. Tudo que cada pessoa faz terá um efeito e até mesmo quando alguém morre de forma natural, súbita ou mesmo por uma agressão como essa certamente não pode ser apenas uma morte.

Esse fato não pode ser apenas um julgamento de alguém que vai passar na cadeia por 30 anos, não! Tem que significar algo mais para a sociedade. Custou a vida de uma pessoa, o executor passar o desconforto de muitos anos detido, mas a sociedade terá que aprender e mudar sua postura.

A morte daquele que todos conhecem, Jesus Cristo, serviu para a mudança de comportamento de muita gente. E certamente a morte dessa enfermeira servirá para a mudança, não apenas do carrasco, mas principalmente para a sociedade que assiste a saúde do jeito que está e não a modifica.

Ontem, na minha cidade atendi uma senhora epilética, não vou dizer o nome, que há quatro meses foi diagnosticada com um tumor renal, que se for operado cura para sempre e se não for com certeza será letal para a paciente. Ela está esperando para ser operada, talvez fique na fila por um ano, não sei.

Graças a Deus apelei para a benevolência de um colega, dr. Ari Rocha, e ele nos disse que era para mandá-la para lá que daria um jeito. Se ela ficasse na fila do SUS talvez passasse o ano inteiro sem que fosse operada.

Isso não é um problema só de Santa Catarina, mas sim do Brasil inteiro e terá que ocorrer mudanças. Nosso estado tem 34 mil funcionários na saúde; temos mais de 14 mil médicos bem qualificados; a nossa medicina acompanha a evolução da medicina do Brasil e de qualquer parte do mundo. Chegam aqui aparelhos, equipamentos mais modernos no dia seguinte da sua execução. A tecnologia chega aqui, apenas não chega àqueles que infelizmente precisam utilizar o SUS.

Há mais de 10 anos que se realizam cirurgias por vídeos, como aquelas na vesícula, que o médico tira a vesícula com quatro furinhos que faz na barriga e dali a quatro, cinco dias o paciente vai para casa. E, em uma semana ou em menos tempo do que se tivesse arrancado uma unha do dedo, o paciente volta às suas atividades normais. Para uma pessoa que tem a condição de pagar, ele consegue fazer a cirurgia dessa maneira. E aquele que não tem dinheiro, que vai usar o Sistema Único de Saúde, o SUS, infelizmente, não consegue. E não é porque o médico não quer, mas porque o sistema não disponibiliza.

Será que não podemos pensar um pouco? Será que aquela nossa enfermeira de Correia Pinto morreu em vão? Não! Para alguma coisa terá que servir. Certamente aquela notícia repercutirá não só por Santa Catarina, mas pelo Brasil inteiro, para promover uma mudança. Podemos usar toda a moderna tecnologia para fazer um diagnóstico, para fazer um tratamento, mas isso deve chegar a todos os cidadãos que contribuem no dia a dia com a movimentação econômica, com os gastos, com aquilo que ele faz durante o dia. Querendo ou não, todos os cidadãos pagam os seus impostos sobre tudo aquilo que fazem, que compram, que consomem. E desse imposto terá que ser retirado, terá que sair dali o dinheiro para manter a educação, a segurança e também a saúde que, infelizmente, tantos catarinenses estão à margem e que tem que ser um compromisso. Um compromisso de todos nós e, principalmente, o compromisso deste deputado.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)