Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

23ª Sessão Ordinária - 02/04/2008

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sra. presidente, sras. deputadas e srs. deputados.

O Sr. Deputado Darci de Matos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Primeiramente, com muita honra, vou ouvir o deputado Darci de Matos, que nos marcou no dia de ontem ao fazer suas considerações sobre uma pessoa que construiu história, que teve um passado, e que vai deixar muitas saudades e lembranças.

O Sr. Deputado Darci de Matos - Obrigado, deputado Manoel Mota, por conceder este espaço para que eu possa registrar objetivamente o falecimento do ex-deputado federal, ex-deputado estadual, presidente desta Casa e ex-vereador que comandava a Bescor, Pedro Colin, a exemplo do que fez o meu amigo, companheiro Nilson Gonçalves.

O ex-deputado Pedro Colin atuou por muitas décadas no poder público como parlamentar. Era um homem humilde, inteligente, simples, e, sobretudo honrado e sensível, que escreveu uma história no município de Joinville e no estado de Santa Catarina.

Portanto, as nossas condolências à família, à cidade e ao estado. Com certeza Joinville fica mais triste, mais diminuída sem a presença do ex-deputado Pedro Colin, que era um homem muito importante em todos os aspectos para o município e para o estado de Santa Catarina.

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Quero dizer a v.exa., deputado Darci de Matos, que Santa Catarina perdeu um dos seus grandes líderes. Evidentemente essa homenagem é merecida a toda a família Colin e àquela cidade que marca todos nós, que é Joinville. É uma perda irreparável, mas com certeza, mesmo lá de cima, ele irá olhar por Santa Catarina e por Joinville, para que continuem a caminhar a passos largos, que era o seu sonho e também de todos nós.

Quero falar aqui um pouquinho daquilo que fui, sobre um pedaço da minha vida e sobre a minha luta, porque eu sentia, vivia, e evidentemente na hora em que chegasse ao Parlamento teria que defender de corpo e alma, e é isso o que eu faço com muitos amigos e companheiros.

Quero aqui marcar que os vereadores do sul de Santa Catarina, as associações comerciais do sul de Santa Catarina, os CDLs do sul do estado, as associações das mulheres de Tubarão, terra do eminente deputado Genésio Goulart, enfim, políticos, deputados e tantos outros ajudaram ou participaram do grande movimento para fazer com que acontecesse a duplicação da BR-101, que em cada curva, em cada canto tem a marca das cruzes deixadas pelas pessoas que perderam ali suas vidas. Tem uma, duas, três, quatro ou até mais, porque há acidentes em que morrem até mais pessoas do que isso.

Eu vivi um momento de tensão quando descia o Morro dos Cavalos e houve um acidente com um carro de São Paulo com seis pessoas. Todas morreram. Quando cheguei ainda estavam vivas, mas ainda pude vê-las no momento da morte.

Aquilo me marcou muito, me deu mais garra para trabalhar, lutar cada vez mais, mobilizar, enfrentar tudo o que viesse pela frente para que houvesse a duplicação.

Eu respondo a três processos na Polícia Federal - eram quatro, mas um já foi arquivado - devido aos movimentos que fazíamos para parar a BR-101. Sei que demos muito aborrecimento com essas paralisações nas BRs, mas era o instrumento que tínhamos para viabilizar o projeto e depois a duplicação.

Foram 14 anos de luta incansável que contou com uma participação muito grande. Nós, que vivemos aqueles instantes, deputado Jailson Lima, ainda estamos vivendo esses momentos, porque mesmo com a duplicação ainda está muito complicado, os acidentes continuam, está pior do que antes, porque as empresas estão trabalhando e mudam o retorno a cada instante. Quando chove, à noite não há sinalização e aí são acidentes e mais acidentes. Sabemos perfeitamente que é o preço a pagar para que possamos ter a duplicação da BR-101.

Nós fizemos muitos movimentos em Tubarão, terra do eminente deputado Genésio Goulart por enquanto, porque irá ser prefeito a partir de 1º de janeiro. Ele sabe, participou de todos os nossos movimentos na época que foi prefeito. E o resultado é o que estamos buscando, porque é isso que a população faz: elege um político para buscar resultados. Quando elege um político é para buscar resultados, e quando isso não acontece, é mais um político que frustrou a população, e nós tivemos um papel muito forte nessa questão.

Depois de muitos encontros, de muitos movimentos e muitas paralisações, o ex-deputado José Paulo Serafim, o meu amigo Zé Paulo Serafim com um terno preto, novinho, participou de um movimento em Laguna, na Cabeçuda. Trouxeram para nós umas 500 cruzes pintadas de vermelho para deitarmos em cima, cada um ficou com a cruz nas costas, e ele dizia: "perdi meu terno, perdi meu terno." Essa é a participação de quem luta para buscar resultado na questão da BR-101.

Em Tubarão nós nos reunimos para fazer uma carta endereçada a sua excelência, o presidente da República, mas uma carta pesada. Pesada! Ela dizia: "nós vamos fechar a BR-101 e só o exército abrirá." Porque se nós tínhamos o apoio dos prefeitos, dos vereadores, da associação comercial, do CDL, do Ministério Público e do Poder Judiciário que declarou também apoio ao nosso movimento, só o exército abriria.

Eu não posso esquecer esse momento. Levamos essa carta a Navegantes, e lá o governador leu e disse: "deputado, posso te fazer um pedido?" Eu perguntei: o que é governador? Ao que ele respondeu: "esta carta é muito pesada, não entrega." Mas eu havia assumido o compromisso, em Tubarão, de que entregaria aquela carta a sua excelência, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Então eu pedi desculpas ao governador, dizendo: Desculpe, eu não tenho como não entregar. Não tenho como! Eu vou entregar porque assumi compromisso com mais de 100 pessoas e com toda a imprensa daquela região, que ajudou, e muito. Na verdade, a imprensa foi uma peça fundamental. Quem não sabe das 500 mil assinaturas e depois 1,5 milhão de assinaturas resultantes de uma campanha da RBS? Então, a imprensa foi fundamental.

Eu disse ao presidente da República, que tinha uma carta para ele. Algumas pessoas então disseram: "esse aí é o pára estrada. É o deputado que...". E ele disse: "eu vou recebê-la". Ele estava fazendo o seu pronunciamento, quando na metade parou e disse: "agora quero chamar o deputado de Santa Catarina para me entregar uma carta". A carta era pesada, falava num tom sério que iríamos fechar a rodovia e que não abriríamos para ninguém! Ele assumiu dizendo: "não precisa se preocupar. No final do ano vou entregar a ordem de serviço e vamos ter a duplicação."

Não posso omitir a verdade! A palavra foi cumprida no final do ano. Veio a Palhoça e entregou a ordem...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)