Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

49ª Sessão Ordinária - 01/07/2008

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sra. deputada Odete de Jesus, srs. deputados, servidores da nossa Assembléia Legislativa, catarinenses que nos acompanham através da TVAL, da Rádio Alesc Digital, catarinenses que participam da nossa sessão, dentre eles, destaco o Grupo do Centro de Convivência de Rio do Sul, lá do nosso alto vale do Itajaí, que estão participando da sessão de hoje. Quero cumprimentar a todos em nome da tia Tita, irmã da minha nona, que aqui está e por quem tenho muito carinho. Sejam todos bem-vindos a nossa sessão.

Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados e meu líder deputado Silvio Dreveck, confesso que estava, deputado Jailson Lima, com muita saudade desta tribuna. Afinal de contas, foram 60 dias dentro de um programa, de um projeto de valorização daqueles que nos ajudaram a chegar aqui, deputado Jandir Bellini e tive o privilégio de ser substituído ao longo desse período pelo deputado Jaime Pasqualini, da nossa cidade de Rio do Sul, do nosso alto vale do Itajaí.

Passaram por aqui já nesse nosso programa, nesse projeto partidário os deputados Flávio Ragagnin, Altair Silva e está conosco o deputado Ivan Naatz, do Partido Verde, nesse bloco de coligação que formamos na eleição e no bloco parlamentar que constituímos agora. Dentre outros, deputado Jandir Bellini, que ainda passarão por aqui, uma vez que pretendemos valorizar e prestigiar todos aqueles que conquistaram mais de dez mil votos na eleição passada.

Para mim que estou há dez anos nesta Casa, deputado Pedro Baldissera, passar 60 dias longe desta tribuna, confesso, não foi muito fácil, especialmente num período em que um best seller ganhou as leituras e os corações, mas também muitas frustrações e as páginas policiais do noticiário catarinense sobre A Descentralização no Banco dos Réus.

Conforme já anunciei ainda no período de licença, farei de hoje em diante, diariamente, deputado Ismael dos Santos, a leitura de um capítulo do livro para que fique registrado nos anais desta Casa e na história de Santa Catarina o roteiro de um dos maiores esquemas de corrupção, de cooptação, de fraude, de chantagem, de formação de quadrilha e de lavagem de dinheiro já montado no estado de Santa Catarina.

Amanhã trarei inclusive a entrevista concedida pelo poderoso secretário, por alguns chamado de primeiro-ministro, por outros de pinóquio da base do governo, mas para muitos o primeiro-ministro, Ivo Carminati. Fiquei estarrecido, deputado Jailson Lima, ao assistir no sábado à noite, no jornal da RBS, uma entrevista com o poderoso primeiro-ministro, Ivo Carminati, quando foi apresentada pelo grupo RBS, especificamente pela RBS TV, duas gravações telefônicas: uma entre o empresário Nei Silva e o ex-secretário Armando Hess e outra entre o empresário Nei Silva e o primeiro-ministro, Ivo Carminati, que eu não tenho dúvida deixaram estarrecidos todos aqueles que ouviram aquelas gravações.

Mas o que mais me impressionou foi a coragem do todo poderoso secretário Ivo Carminati, ao ser questionado no momento seguinte pelo repórter da RBS TV, que fria e taxativamente respondeu: "Isto é um caso de polícia". E não disse mais nada. Amanhã trarei essa matéria, até porque eu penso que esse governo, quase inteiro, virou um caso de polícia. Tem razão e é a primeira vez que tenho que dar razão para o secretário Ivo Carminati. Este governo realmente está virando um caso de polícia.

É diretor da Cidasc preso, é delegado regional preso, é o ex-assessor do governador, da secretaria da Fazenda, que sumiu com R$ 2 milhões, encontrados em seu apartamento, e por aí vai.

E nada disso, deputado Ivan Naatz, tem justificativa! Esses inquéritos todos nunca chegam à conclusão alguma. E eu fazia uma reflexão nesse período: que sina tem o PMDB! Que coisa extraordinária! Cada vez que passa pelo governo do estado é uma lambança que fica na história de Santa Catarina. E o que mais me impressiona, deputado Jandir Bellini, é a capacidade que eles têm de fazer em cada governo uma lambança maior.

Senão vejamos: no governo Pedro Ivo e Casildo Maldaner tivemos o escândalo da ponte Pedro Ivo Campos. Aquele dinheiro todo que desapareceu na construção da ponte, até hoje só uma pessoa foi punida. Só o mordomo. Só Miguel Ourofino foi preso, pagou a pena sozinho, para não incriminar e não arrastar mais ninguém para detrás das grades. Pagou a conta sozinho, não sei por que razão, mas não levou quem mandou fazer a corrupção da ponte para os tribunais e para detrás das grades! Foi um escândalo que acabou Santa Catarina. Não se imaginava nada pior.

Na seqüência ou quatro anos depois, assumiu o governo do PMDB o sr. Paulo Afonso Vieira e aí tivemos um novo e maior escândalo, o dos precatórios. Ninguém se esquece do escândalo dos precatórios.

Mas pior do que o escândalo dos precatórios foi o assalto, foi o roubo de três folhas de salário do servidor público de Santa Catarina. As mais de 100 mil famílias de servidores jamais vão esquecer, deputado Ismael dos Santos, porque o pior roubo é aquele que é praticado contra o funcionário, quando o patrão se apropria do salário do seu funcionário, quando retira do servidor a sua dignidade de poder como pai, como mãe colocar o alimento sobre a mesa para os filhos.

Esse foi o grande escândalo, a grande mancha. Três meses de salário roubado do servidor público de Santa Catarina, além de uma extensa ficha policial e no cartório, uma vez que o governo seguinte levou dois anos para pagar as contas.

Bom, imaginava-se, presidente Clésio Salvaro, que escândalo maior não poderia ser fabricado em Santa Catarina, mas eis que surge o livro de Nei Silva com o roteiro de uma grande operação criminosa jamais montada neste estado, muito superior àquelas anteriores e que envolve a corrupção descentralizada.

Isto aqui representa, deputada Odete de Jesus, a descentralização, sim, da corrupção, do desvio do dinheiro público, da lavagem, da formação de quadrilha. É isso que consta desse livro que alguns do governo insistem em negar, e aí a imprensa apresenta uma gravação com o todo poderoso Ivo Carminati, chamando Nei Silva de meu amigo.

Esta, deputado Pedro Baldissera, é a referência feita pelo primeiro-ministro, o poderoso secretário Ivo Carminati, e o ex-homem forte do governo Armando Hess ao Nei Silva, quando tentou cobrar pelos serviços prestados em favor da candidatura e da reeleição, agora mais do que nunca, fraudulentamente comprovada de sua excelência, o sr. governador do estado.

Mas é só estréia, nos próximos dias voltaremos ao assunto.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)