Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

5ª Sessão Extraordinária - 11/03/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, o candidato não esteve presente no quartel, o candidato Dário Berger não foi pedir o voto. E isso é natural, ou seja, ele não estando presente não caracteriza nenhuma infração. Agora, em cada repartição pública todo cidadão individualmente pode conversar, porque vivemos numa democracia.

Portanto, v.exa. tem razão, e criticou o comportamento de um coronel e não de um candidato que não foi lá no quartel, que realmente é uma repartição pública, onde nenhum candidato deve ir, pois isso, sim, a Lei Eleitoral proíbe.

Sra. presidente, companheiros deputados, Santa Catarina me preocupa por um dado muito interessante que vamos discutir, que é importante, porque as coisas estão acontecendo e não estamos percebendo. Em 2005 fui convidado como delegado brasileiro para um encontro promovido pelas Nações Unidas sobre as mudanças climáticas e o Protocolo de Kyoto. Quando chegamos a Montreal para este encontro com mais de dez mil delegados, por toda parte se via a fotografia que o satélite bateu do nosso denominado Furacão Catarina e se discutia se era furacão ou ciclone. No entanto, a nossa Epagri/Ciram foi a primeira que afirmou que era um furacão.

Bom, se é um furacão já muda todo o ângulo da discussão. Por quê? Por que abaixo da linha do Equador nunca ocorreu, ou pode até ter ocorrido, mas não foi fotografado ou vivenciado um furacão, pois ele sempre ocorre acima da linha do Equador. E agora, pela primeira vez, ocorreu um furacão abaixo da linha do Equador. Por que isso está acontecendo? Estão ocorrendo mudanças climáticas e essa foi a primeira prova. E já se previa que furacões fossem ocorrer onde nunca ocorreram antes. O normal era o ciclone extratropical ou um tornado sobre o mar, mas agora está mudando novamente, porque já estamos tendo tornados na serra e os jornais estão noticiando. Lembro-me perfeitamente disso e dessas discussões. Como era o início em 2005 nunca imaginei que fosse ser tão rápido.

Fomos a outro encontro na Bósnia, na Polônia e lá estavam discutindo o que houve em Santa Catarina com o derretimento do solo, que estava ocorrendo por causa das chuvas e das águas na região do vale de Blumenau e outras localidades inclusive na nossa ilha. É importante começarmos a analisar isso, pois as conseqüências não eram os rios transbordando, mas, sim, o solo que estava todo permeado, parecendo um sorvete derretendo que fez com que ocorresse aquela calamidade e, por conseqüências, as cheias dos rios. Era outro fenômeno se acrescentando.

E, aí, temos que começar a pensar o que ocorreu em 1974 lá em Tubarão, quando Santa Catarina mais uma vez foi destaque pela catástrofe. O que ocorreu em 1983 ou 1984 aqui em Blumenau? E o que ocorreu lá em 1992, pois em 1995 quando éramos prefeito de Florianópolis houve aquela grande enxurrada e muita destruição. Agora, as conseqüências vêm em 2008/2009 e aí vamos ter todo um estudo de observação com estes satélites que estão sobre a terra para analisar, através da Epagri/Ciram, que tem bons técnicos surgindo, uma proposta e quero a atenção de todos os parlamentares e catarinenses.

Na reunião que nós fomos quinta-feira, em Pedras Brancas, estavam os parlamentares federais da região, e também do oeste e do sul, desde o Celso Maldaner, o Gervásio Silva, o Paulinho Bornhausen, enfim, os deputados federais. E estava lá um deputado federal que está lutando em nível federal, que trouxe uma proposta para Santa Catarina, que é o Fernando Gabeira - e que conhece um pouco da nossa historia, pois temos uma amizade antiga, e ele foi inclusive candidato a prefeito do Rio de Janeiro e quase ganhou as eleições -, de criar um centro de pesquisas em Santa Catarina, justamente por esses fenômenos ocorridos, para que o nosso estado comece a pesquisar, porque aqui neste golfo de Santa Catarina poucas pessoas sabem que temos as correntes a jato. Como é que se formou aquele furacão? Quer dizer, com a região de depressão e com a temperatura, porque aquilo ocorre em condições raras. E depois nós vimos que outros já estavam se formando no mar.

Então, é importante que Santa Catarina, que teve todas essas catástrofes, comece a ter um centro de observação e de pesquisas relacionadas à meteorologia, um dos mais avançados no Brasil. Aliás, o mundo hoje está investindo em tecnologia de ponta justamente na questão da meteorologia.

Antes, pela televisão, quando havia um furacão eles o mostravam, mas não diziam para aonde ele ia, não havia condições de fazer isso. Mas através da mecânica quântica, da determinação das probabilidades hoje mostram o furacão e já dizem para aonde ele está-se dirigindo. Hoje já usamos a linguagem do que é a corrente a jato que forma o vórtex. Quer dizer, tudo isso fisicamente e de forma científica é explicável.

Esse é um investimento grande para a ciência e tecnologia interligada em nível mundial. Hoje nós temos mais de cinco mil computadores trabalhando nas questões de mudanças climáticas. A terra está dividida em meridianos, em fatias, que vai a uma altura de 12 quilômetros até por oito quilômetros de largura, como se fosse uma teia de aranha. Então, dentro daquela condição dos meridianos traçados já se pode determinar qualquer coisa que vá acontecer.

Hoje já se sabe que os furacões da América Central, que são comuns todos os anos, em determinadas épocas, e Santa Catarina em determinadas épocas também está sofrendo essas conseqüências, têm origem nos Açores, onde começam a formar estas condições físicas para determinar esses furacões que ocorrem mais no Caribe. E assim continua, no caso de Cabo Verde, na região daquelas ilhas. Então, já estão estudando. O Japão também está muito avançado tecnologicamente.

Srs. deputados, daí a importância de Santa Catarina, sim, com o apoio de v.exas., da secretária de Desenvolvimento Sustentável, da fundação responsável pela ciência e tecnologia e dos órgãos responsáveis pelo meio ambiente, ter esse centro de pesquisas meteorológicas, para que possamos prever, com antecedência, os acontecimentos desses fenômenos, como já são previstos, mas não em tempo exato, real daquilo que poderá determinar para não sofremos as conseqüências que estamos sofrendo.

Portanto, estamos fazendo uma indicação, que apresentaremos na próxima sessão, no dia de amanhã, para que realmente esse centro de meteorologia e de pesquisa do Brasil, do governo brasileiro, juntamente com a parceria das universidades e dos pesquisadores se estabeleça e seja criado em Santa Catarina.

Esse é um trabalho dos parlamentares federais. É bom ressaltar as coisas positivas que os parlamentares estão fazendo, principalmente os nossos parlamentares federais.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)