Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Cesar Souza Júnior

25ª Sessão Ordinária - 10/04/2007

O SR. DEPUTADO CESAR SOUZA JÚNIOR - Sr. presidente, srs. deputados e sras. deputadas, venho, hoje, à tribuna desta Casa para fazer o registro de um investimento muito importante para o Vale do Itajaí e para a economia catarinense, ou seja, o grupo Votorantin investirá, no município de Vidal Ramos, mais de US$ 200 milhões numa nova fábrica de cimento que será responsável por suprir a totalidade da economia catarinense na área de cimento pelos próximos anos.

Essa obra, que gerará mais de 500 empregos já na sua fase de construção e mais de 200 empregos diretos e muitos mais indiretos no município de Vidal Ramos, é fundamental para o desenvolvimento de toda a região do Alto e do Vale do Itajaí, até porque no bojo da construção dessa planta haverá também o asfaltamento do acesso entre os municípios de Vidal Ramos e Brusque, e também entre Vidal Ramos e Presidente Nereu.

Essas são obras fundamentais, há muito tempo esperadas por todo Vale do Itajaí, e que certamente trarão um grande desenvolvimento econômico para aquela região. Refletirão também na queda do preço do calcário, que hoje é uma atividade tão importante, e na maior produtividade na venda de produtos agrícolas, notadamente o arroz e o fumo, que são tão importantes naquela região.

Então, quero cumprimentar aqui o prefeito de Vidal Ramos, toda a comunidade do município e as autoridades estaduais que foram tão importantes para essa conquista histórica para o Médio e Alto Vale do Itajaí.

E quando falamos em descentralização de oportunidades, quando falamos em desenvolver o interior para evitar o fenômeno para a litoralização, que hoje faveliza o litoral, faveliza a região da Grande Florianópolis e as médias cidades, é importante que essa descentralização seja acompanhada também de oportunidades econômicas no interior.

Portanto, essa fábrica da Votorantin vai mudar a história de uma região, e é importante celebrar também nesse momento a atuação decisiva das autoridades municipais e estaduais.

O aniversário de Florianópolis já passou - foi no final do mês passado -, e esse é um momento em que se fala muito sobre o futuro da cidade, em que se fala muito sobre o sentimento de ser ilhéu, em que se fala muito sobre os problemas que vive a cidade de Florianópolis, hoje, e sobre os grandes desafios que tem em seu futuro. Mas o fato é que pouco se tem passado do consenso, do diagnóstico para a unidade de ação dos temas afetos à cidade de Florianópolis, essa cidade que hoje se metropoliza com incrível rapidez, tem um crescimento populacional enorme, mas que também esbarra, a cada dia, em dificuldades de resolver problemas fundamentais.

Todos concordam que é maravilhoso viver nessa terra, todos sentem no coração o vivo sentimento de ser ilhéu, mas quando chega a hora de unir esforços para pensar no crescimento desta cidade para daqui a 10, 15, 20 anos, nós esbarramos em conflitos ideológicos e interesses de curto prazo, o nítido despreparo de alguns para ocupar a função que ocupam. Enfim, não se consegue pensar a Florianópolis daqui para adiante.

Essa cidade tem uma população de cidade média, em torno de 400 mil habitantes, mas possui, hoje, desafios de uma complexidade de grande centro urbano; essa cidade tem dificuldades que poucas cidades do seu porte têm no Brasil, mas tem oportunidades em seu futuro que nenhuma outra capital brasileira tem.

Então, gostaria de registrar agora, já neste mês de março, que é importante pensar vivamente o futuro de Florianópolis, não apenas perto do aniversário da cidade, mas também durante todo o ano.

Foi concluída agora uma pesquisa pelo instituto Floripa Amanhã e pelo instituto Mapa que dá uma radiografia do que é esta cidade, hoje menina dos olhos do Brasil, mas também que tem muito medo, muito receio de deixar de ser um lugar agradável, aprazível que tem essa tal qualidade de vida que encanta quem aqui vive e que também faz com que ela seja, hoje, o pólo e o imã populacional que é.

Preocupa-me, de maneira decisiva, ver que hoje, segundo a própria prefeitura municipal, 60% das edificações do município de Florianópolis são irregulares, ou seja, mais da metade das construções feitas nesta cidade não passam pelo crivo do Poder Público. Espanta-me ver uma combatividade ideológica contra equipamentos turísticos fundamentais para o futuro da cidade, e de outro lado, a completa inação contra as inovações que se sucedem contra a poluição da nossa Lagoa da Conceição, contra um crescimento descontrolado que pode vir, já num curto prazo, a comprometer a qualidade de vida tão propalada por todos que aqui residem. Preocupa-me a extrema deficiência do saneamento urbano que tem a cidade de Florianópolis, que hoje vê ameaçado o seu título de paraíso brasileiro.

Eu quero dizer aqui que esta geração que hoje ocupa cargos públicos, esta geração que hoje empreende tem o grande desafio, que é de todos: será a geração responsável pela construção de uma cidade, de uma metrópole que seja ambientalmente responsável, rica, organizada e segura. Ou será a geração sobre a qual pesará a responsabilidade de ter transformado o maior e mais belo sonho urbano do sul do mundo num paraíso caótico, próximo ao que hoje se vivencia no Rio de Janeiro?

Esse é um desafio de todos nós que não será vencido com apenas a entoação do "Rancho de Amor à Ilha" e declaração de amor fácil às suas belezas. Será vencido com a união de todos, com luta, com decisões difíceis de serem tomadas, mas que têm que ser assumidas por todos aqueles que ocupam uma posição e que têm a sua vida nessa cidade tão bela, mas que hoje vive um momento crucial em sua história.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)