10ª Sessão Extraordinária - 18/04/2007
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente e companheiros deputados, acho que é importante começarmos a discutir política como ciência, no bom sentido.
Em 1998, quando este país estava atravessando o seu nevoeiro, com a realidade que tinha de transformação, foi proposta a Constituinte. E houve um político, que hoje é presidente da República, que disse uma frase que nos assustou na época, ou seja, que o povo não queria a Constituinte, o povo queria arroz e feijão, o discurso fácil.
Nós, comunistas, trabalhando com articulações, mostramos que não era só ter arroz e feijão, mas que havia a necessidade de saber como dividi-lo, de saber como fazer isso na sociedade civil como um todo. Porque é muito fácil adotar essa política, já que depois não participou da Constituinte, os seus deputados se negaram a assinar a Constituinte e não fizeram a história deste país. E aqueles que fizeram a história, assumiram as transformações para, hoje, termos todos os partidos possíveis, com todas as idéias, discutindo, e estarmos vivendo uma democracia. Quem construiu isso? Aqueles que se omitiram da Constituinte? Aqueles que não assinaram a Constituinte?
E vou mais longe do que isso: o comportamento desse partido foi o mesmo quando nós tínhamos a história que Camões muito bem colocava: "Navegar é preciso, viver não é preciso". Então, aqueles portugueses iam mar afora buscar novas terras, e as pessoas conservadoras, que tinham medo das novas descobertas, ficavam tentando convencê-los a não ir navegar. Ofereciam caldo verde e calor nas noites de inverno às suas famílias. E quando não conseguiam convencer aquelas pessoas que iam transformar, buscar novas terras, injuriavam-se dizendo: "Tomara que o mar ao lenho lhe traga"!
Aqui eu estou vendo o mesmo raciocínio político. Quem é contra a descentralização? Ninguém! Mas ficam torcendo para que a ela não dê certo.
E vou mais longe porque a história tem que ser lembrada. Os trabalhadores, na sua luta, têm que observar a sociedade civil. E digo isso porque daqui a alguns dias teremos o Dia do Trabalhador, em 1º de maio. O que nós temos no Brasil, hoje? Temos uma Central Única - que não é única porque há várias - que está atrelada ao governo; temos uma Força Sindical, que também está atrelada ao governo. O trabalhador tem que ter independência!
Volto a dizer que o maior genocídio que houve na Terra não foram as guerras religiosas e as inquisições, e sim as tentativas de atrelar o trabalhador ao patrão, de unir o trabalhador ao industrial. Isso é o nazismo, isso é o fascismo! Por que há muito tempo não temos greves no ABC? Porque o trabalhador fez uma negociação com patrão, fez uma câmara de compensação que não precisa mais fazer greve. Repassa o preço para o carro, para o produto, e todos ganham! Mas a sociedade civil paga como um todo. E, mais do que isso, há a questão da busca dos recursos naturais.
Companheiro deputado Edson Piriquito, v.exa. sabe qual era o nome do partido do Hitler, esse homem que levou os países para a II Guerra Mundial e dizimou mais de 50 milhões de pessoas? Era o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães!
Então, nós temos que cuidar desse viés daqueles que vêm aqui discutir... E quero discutir com profundidade se realmente querem a transformação social ou perderam o trem da história, porque já houve partido dos trabalhadores sim, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que nos deu o quê? O nazismo e a morte de mais de 50 milhões de pessoas no mundo, pela sua maneira de agir e de atrelar a classe trabalhadora!
Quando Luiz Henrique propôs a descentralização, começou, já, com o primeiro exemplo: que ele não fez o culto à personalidade. Abriu mão que sua fotografia fosse colocada em qualquer repartição pública. Essa é uma pessoa humilde, o que importa é a idéia. Se ele criou 36 Regionais, foi, sim, para chegar mais perto da população, daqueles que mais necessitam, que são os nossos catarinenses. E isso vai servir de modelo!
Vou mais longe: em 1970, foi justamente a época em que comecei a dar aula. Então, lá se vão mais de 36 anos. Naquela época, falava-se pela primeira vez no feedback, que era a retroação, a pessoa procurar fazer o melhor para não errar. Depois do feedback, veio o brainstorming, trabalho em grupo, a pessoa se concentrar, várias pessoas pensando. Com isso, a pessoa conseguia ter uma melhor solução e proposta. Depois veio a reengenharia, que você conseguia fazer o que nós chamamos de competitividade, de produtividade. Depois da reengenharia, veio a logística, que é a pessoa saber se posicionar no mundo globalizado, qual é a melhor forma de se ter um produto para ser competitivo e para a sua empresa poder sobreviver. Depois da reengenharia, veio a palavra replicar, hoje muito utilizada.
Então, por que a Maternidade Darcy Vargas, que é do SUS, é estadual, é boa em Joinville e serve de exemplo, não é replicada em outras cidades? É isso que nós temos que discutir, pensar e fazer.
Hoje, mais do que esses termos todos que eu falei, fala-se em desenvolvimento sustentável. Mais do que nunca, nós precisamos ter a democracia ambiental, respeitando a nova economia que surge após a informática, que é a economia do crédito de carbono.
Portanto, são novos tempos. De onde se tirou que, quando se propõe um pacto positivo, significa que o governo vive de forma negativa? Haja paciência! Repito, haja paciência! Por que significa isso? Significa que temos que acelerar, pois o time, o tempo, é importante. Quando você propõe à sociedade a solução dos seus problemas de forma rápida e participativa, não significa que eu possa interpretar que o governo está negativo.
Até isso eu tive de ouvir hoje, sabendo que o governador Luiz Henrique está inaugurando várias obras importantíssimas por semana, como podemos acompanhar a ponte que une os dois estados, como podemos acompanhar no Morro da Fumaça, e tantas outras obras pelo estado que eu vejo na agenda do governador.
Portanto, sr. presidente e companheiros deputados, eu quero fazer a boa discussão, sim, a discussão ideológica, porque chega do dia-a-dia. Nós temos que ver a floresta como um todo e não deixar que algumas árvores nos atrapalhem nessa visão. Nós temos que analisar o que significa um governo de estado que tem a sua economia maior que a do Paraguai e o Uruguai juntos. Isso significa que temos que acelerar!
O Sr. Deputado Edson Piriquito - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Pois não!
O Sr. Deputado Edson Piriquito - Agradeço pela oportunidade, nobre deputado Professor Grando. Eu me encanto com a sua fala, com o seu conhecimento, com a sua sabedoria.
Quero me somar, na sua fala, àquela parte que diz do discurso pelo discurso, àquela parte que diz do discurso fácil. Como é fácil nós virmos à tribuna e apresentarmos diversos projetos de "cunho social" (entre aspas). Vamos conceder isenção para "a", para "b", para "c", para "d", para tal classe, para tal situação, para tal profissional. Vamos isentá-los do pagamento de impostos. Este é o discurso muito usado pela Oposição.
Mas a forma é irresponsável, e parece, no momento em que é apresentada, que estão do lado do povo, porque se esquecem de dizer que isso vai fazer com que os cofres públicos sofram um abalo e, por conseguinte, se o governo conceder, ele terá que aumentar o imposto. E daí quem paga isso? Todos, como v.exa. falou. Quer dizer que faz um acordo do operário com o patrão e repassa para o cidadão. Todos pagam pela conta de um acordo mal feito e perde-se a essência do projeto, a essência dos acontecimentos, da forma que se tem que atuar: com responsabilidade.
Então, eu também temo muito, hoje, por essas apresentações, por essa forma de atuar politicamente, que é a política do discurso pelo discurso. Condenam governadores, líderes de toda a ordem, mas também se esquecem de olhar para a sua história. Quer dizer, fazem de forma irresponsável, tentando brincar com a mente das pessoas, principalmente com aqueles que são trabalhadores sérios que desenvolvem os nossos municípios, o nosso estado e o nosso país, e não têm tempo para conhecer a história.
Seria esta a minha participação e parabenizo v.exa. pelo brilhante discurso!
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Para encerrar, sr. presidente, realmente o corporativismo, que tem uma visão estreita, tem que ser discutido, debatido e combatido. E nós não podemos entrar no estreitismo, no gueto. O movimento dos trabalhadores, o movimento da mudança da sociedade como um todo tem que olhar para a sociedade civil, homens e mulheres, jovens, todas as religiões, todos os partidos, todos os credos e todas as raças.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)