19ª Sessão Ordinária - 22/03/2007
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GRANDO - Muito obrigado, sr. presidente. Nós queremos saudar todos os deputados e deputadas e dizer que este Dia Mundial da Água é um momento para reflexão.
Nós sabemos que é comum hoje, num mundo globalizado, muitos falarem em pensar globalmente e agir localmente. Mas sobre a água são ações locais para um objetivo de soluções mundiais. A questão da água passa pelo município, pelo poder local, através de ações.
Eu gostaria de chamar a atenção porque se falou e mostrou-se, através de uma novela intitulada A Muralha, que as pessoas do litoral tinham que ir para o interior e vencer uma muralha, que eram as serras do Mar e Geral.
Como eu fui delegado brasileiro no 4º Fórum Mundial da Água, no México, representando o Brasil, eu gostaria de dizer que, assim que cheguei de volta, comecei a analisar o mapa de Santa Catarina e tive a idéia, como presidente da Fatma, de sugerir o que chamamos de corredor ecológico, o Caminho das Águas. O que é um corredor ecológico? Não adianta somente termos unidades de conservações de forma isolada, onde a biodiversidade começa a se desenvolver e é protegida, se entre essas unidades de conservação não há um corredor ligando-as.
Então, olhamos para a serra Geral e para a serra do Mar e vimos que poderíamos unir duas grandes unidades de conservação: os Aparados da Serra, no Rio Grande do Sul, e a APA, no Paraná. E que ao mesmo tempo passaria por várias unidades de conservação em Santa Catarina: a reserva do Aguaí, a Reserva Nacional do Parque de São Joaquim, Itajaí-Açu e assim por diante.
Assim, nesse sentido, nós conseguimos ter uma idéia do que se seja a cumeeira: 500 metros de cada lado para serem preservados. Por quê? Além do Aqüífero Guarani, eu gostaria de dar uma idéia e vou ler o seguinte:
(Passa a ler.)
"[...] conciliar a conservação da biodiversidade com o crescimento sócio-econômico, promovendo a sustentabilidade ambiental."
Naqueles lugares onde os caminhos venceram a muralha, vamos colocar telas ou pequenos túneis, onde os animais possam percorrer esse corredor ecológico.
(Continua lendo.)
"Assim a proposta do corredor ecológico, denominado Caminho das Águas" - e vou explicar por que tem esse nome - "tem como princípio o estabelecimento de diferentes níveis de conexão entre os ecossistemas da vertente do Atlântico e os da vertente do interior[...]".
Então, esta serra é um divisor de águas das nascentes; são placas tectônicas que se elevaram. Esta é a grande riqueza de Santa Catarina!
"[...] promovendo a interação e a conectividade entre a biota das bacias hidrográficas do estado de Santa Catarina, potencializando as funções ambientais dos elementos que compõem a paisagem natural."
Dando continuidade, companheiros, esta proposta está alicerçada na linha da cumeada das serras mais expressiva no cenário ambiental do território catarinense, 500 metros de cada lado, na serra Geral e na serra do Mar, conectando habitats de duas grandes vertentes; e na vertente do Atlântico, as águas que nascem e correm para lá são em número de 12 bacias hidrográficas.
Srs. deputados, talvez a água seja motivo da paz mundial, através das bacias hidrográficas do interior nacionais e internacionais. Um dos motivos para se ter paz é o entendimento. A água não vai causar guerra, poderá ser por nós, seres humanos, a causa da paz.
Vejamos quais são as vertentes do Atlântico: o rio Itajaí-Açu, que nasce na serra do Mar e na serra Geral e vem para o litoral; os rios Tubarão, Araranguá, Itapocu, Tijucas, Mampituba, Urussanga, Cubatão do Norte, Cubatão do Sul, d'Una, Biguaçu e da Madre. São 12 rios.
Na vertente do interior, que nasce na serra e corre ao contrário, vai para o rio da Prata, temos os rios: Peperi-Guaçu, das Antas, Chapecó, Irani, Jacutinga, do Peixe, Canoas e Pelotas, que se juntam e formam o rio Uruguai; Iguaçu, que corre ao contrário, na região de Forquilhinhas e Canoinhas; Canoinhas e o Negro.
Srs. deputados, como é importante essa visão de proteger 500 metros de cada lado na cumeeira da serra Geral e da serra do Mar porque estaremos protegendo todas as nascentes. Isso que é importante! Tudo começa de montante à jusante.
Então, essa preservação é fundamental, além de conter ao longo da BR-116, indo até Praia Grande, no seu subsolo, o Aqüífero Guarani, com potencialidade, já protegendo os pontos de recarga.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)