Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

10ª Sessão Ordinária - 26/02/2014

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, nesses últimos dias tenho sido não sei se privilegiado ou aquinhoado com o meu nome, a minha foto estampada no jornal Notícias do Dia, numa sequência que até me causa estranheza em relação a gostos dos deputados da Assembleia.

A primeira matéria que li tem o título "Gastos sem limites. Na Assembleia custeio dos deputados em 2013 soma-se a R$ 5,300 milhões." E em alguns itens liderei esse ranking, por essa razão fui questionado e a minha fotografia foi estampada no jornal de forma relevante por conta dos gastos de indenização em meu escritório em Joinville.

Pode causar estranheza para alguém os gastos que tenho no meu escritório em Joinville os quais estão pertinentemente dentro da lei, dentro da legalidade. Causar estranheza para quem não conhece o meu trabalho, para quem não conhece a minha equipe de trabalho no município de Joinville.

Agora em Joinville qualquer pessoa que descer na rodoviária, pegar um táxi e dizer que quer ir à Casa Amarela, não precisa dar endereço, pois sabe onde é a Casa Amarela. Os gastos que tenho na Casa Amarela são porque praticamente descentralizei todos os trabalhos principais para o município de Joinville.

Em Joinville, a minha Casa Amarela é o meu escritório de trabalho que consome só de aluguel por mês quase R$ 4 mil, e temos uma cota de aluguel por ano de R$ 8 mil. Portanto, gasto a cota da Assembleia o limite, ou seja, R$ 8 mil. Depois passo o resto do ano pagando do meu bolso o aluguel de meu escritório de trabalho em Joinville.

Em Joinville já há muitos anos tinha uma caminhãozinho que carregava móveis, utensílios domésticos doados para a população carente. Temos um enorme cadastro de doares e outro de pessoas que precisam. Tínhamos um carrinho, foi aumentando e hoje temos um caminhãozinho, da Kia.

Esse caminhão não foi comprado com o dinheiro da Assembleia, mas, sim, com o meu dinheiro. E esse caminhão roda o dia inteirinho desde manhã até a noite e gasta diesel, despesa essa não da Assembleia, mas do meu bolso.

Há uma série de outras coisas que fazemos naquela casa que são objeto de doações de empresários que nos ajudam, de pessoas que voluntariamente vão lá. Temos um ateliê de costura em que senhoras voluntárias vão lá costurar, fazer roupa de bebê. E, quando há um volume grande de kits bebê, fazemos um curso para as gestantes, com médicos, dentistas, enfermeiras da maternidade para orientá-las.

Tenho um gasto enorme em correspondência, porque preciso comunicar essas pessoas. No ano passado fizemos cerca de 100 oficinas e beneficiamos centenas de pessoas de toda a região. Isso gerou um gasto grande em correspondência, não foi de graça. O que estava no limite de gastos da Casa eu gastei. O que ultrapassou o limite de gastos da Casa, eu tirei do meu bolso ou tive a colaboração de amigos. Não ultrapassei o limite, mas fui aquinhoado, aqui, como sendo o deputado que mais indenizações teve no seu escritório regional. Quem sabe foi por que o meu escritório regional é o que mais tem atividades o ano inteiro.

Isso não acontece apenas em época de eleição. Estou com o escritório aberto e trabalhando desse jeito, srs. deputados, há 22 anos. Tive dois mandatos de vereador, estou no quarto mandato de deputado. Sempre trabalhei desse jeito. Abri o escritório e nunca mais fechei. Hoje, isso tomou uma dimensão muito grande e extrapolou o limite de gastos desta Casa, mas estou pagando com o que ganho apresentando programa de televisão, de rádio.

A minha esposa, que toca todo esse trabalho, não pode ser registrada na Assembleia porque seria nepotismo. Ela é registrada na Tribuna do Povo, ganha R$ 3.000,00, mas trabalha para a Assembleia, trabalha para todos porque é ela quem dirige o escritório. É a pessoa em quem mais confio, que tem capacidade para tocar o escritório.

Então, quem é de Joinville sabe e conhece o porquê dos gastos. Não fiz nada de ilegal. No computo geral dos deputados, sou o 19º com mais gastos na Assembleia Legislativa. Agora, o que me causou estranheza foi ser um dos deputados mais ricos da região de Joinville. Sou mais rico que o senador Paulo Bauer, que o senador Luis Henrique da Silveira! Fiquei impressionado. Mas quero deixar bem claro que se aparece assim, é porque exatamente tudo o que eu tenho está declarado, está no imposto de renda. Não tenho nada que seja meu no nome de alguém. Quem sabe por isso esteja aparecendo tão rico, com R$ 800mil em propriedades. Isso foi resultado de uma vida toda de trabalho, não só como deputado, mas como apresentador de televisão, como advogado. Já fui apresentador de bingo em cima de caminhão, e ganhei muito dinheiro fazendo isso. Comprei uma cobertura na época em que apresentava bingo em cima de caminhão. E isso vai somando ao longo da sua vida. Tenho 63 anos. Quando se chega nessa idade, você traz consigo o fruto do trabalho de toda sua vida. Essa é a verdade, e não escondo de ninguém.

Hoje mais uma moça do jornal Notícia do Dia veio me procurar, novamente. Queria saber por que está com tanta falta de quórum a Casa. Eu disse: É para mim que está perguntando? Poderia perguntar para outro. Mas tudo bem, respondo: Só não precisa colocar uma fotografia enorme no jornal com a minha resposta. Eu respondo: Nós estamos tendo problema de falta de quórum na Casa por muitas razões, entre elas o fato de termos e estarmos em ano eleitoral, o que faz com que muitos deputados vão para as suas regiões. Também temos os deputados que acompanham o governador, o secretário de estado nas suas regiões, nos dias que tem plenário na Casa. Mas considero um ano atípico, principalmente por ser ano eleitoral e porque não tivemos a discussão de matérias de muita relevância. Então, muitos deputados avaliam que, entre estar cuidando do seu rebanho e estar aqui votando matéria de utilidade pública, prefere ficar cuidando do seu rebanho por aí. Mas a verdade é que temos a obrigação de estar aqui, em plenário, e assim temos feito.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)