Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

117ª Sessão Ordinária - 16/12/2014

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, quem mais nos acompanha pela TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e demais presentes nesta tarde de terça-feira.

Neste clima, neste regime de retirada que estamos nos organizando nas últimas semanas, queria voltar a fazer uma reflexão sobre uma questão que falei várias vezes ao longo dos oitos anos neste Parlamento, e começo dizendo que cheguei atrasado à sessão da última quinta-feira porque fiquei 2h20 na fila para percorrer a distancia de 15km entre a minha casa, no bairro de Serraria, em São José, e esta Assembleia Legislativa. Foram 2h20! Saí às 8h em ponto e cheguei aqui às 10h20, com a sessão terminada. Eu tinha evidentemente o que falar, inclusive começaria se tivesse dado tempo, por essa questão.

Por que todo esse problema no trânsito na última quinta-feira? Porque houve uma colisão entre dois ou três veículos em cima da ponte que dá acesso à ilha, a ponte Colombo Salles. E ficamos imaginando como uma pequena colisão entre veículos, uma coisa normal no trânsito, apenas com danos materiais e, provavelmente, não muito severos, para o trânsito, não apenas da Capital Grande Florianópolis até a Palhoça, mas até Biguaçu. Ou talvez daqui para todas as vias de principais acessos à ilha. E aí fico imaginando o que vai acontecer no dia em que não tivermos uma das pontes funcionando, e já temos uma que há mais de 30 anos está sem funcionar, a ponte Hercílio Luz, com risco de cair, para vexame de todos os governos passados e do atual. Fizeram duas pontes novas e, aliás, não se concluiu nenhuma delas porque as passarelas não foram terminadas, de forma que a pessoa que pretende vir de Coqueiros, do Estreito caminhando para o centro da Capital ou vice-versa, tem que ter um espírito de aventura bastante forte, aguçado, deve ser uma pessoa corajosa, porque as passarelas que foram terminadas já têm buracos e também se transformaram em lugares frequentados por pessoas, muitas vezes, não muito sociáveis. Também falta iluminação no acesso, embora no governo Luiz Henrique tenha sido colocado um monte de luzes lilás e roxas apontando para as pilastras das pontes para ficarem bonitas, o fato é que as passarelas nunca foram concluídas.

Nós temos um problema de mobilidade imenso na Grande Florianópolis, temos reiterado aqui os discursos na área de infraestrutura, embora tão cobiçada essa pasta que provoca brigas, inclusive dentro dos maiores partidos, a questão da infraestrutura é muito grave. E todos que assumem ou que já assumiram fazem discursos dos mais eloquentes, dizendo que estão resolvendo todos os problemas, quando o que assistimos são dificuldades enormes, deputado Padre Pedro Baldissera, para colocar um balde de asfalto dentro de um buraco. Assistimos uma política de incentivo ao uso do carro particular, de incentivo à indústria automobilística, como por exemplo, a isenção da indústria automobilística de outros monopólios de pagar a sua contrapartida previdenciária de 11%, política do governo federal. O padeiro, o dono do mercadinho, o dono do salão de beleza lá do nosso bairro, se tiver um funcionário, dois funcionários ou dez funcionários, pagam 11% em cima do salário dos funcionários; ao passo que indústria automobilística e os outros monopólios, incluindo a BMW que é tão glorificada aqui no estado, não paga a sua contrapartida previdenciária. Evidentemente, a Previdência vai falir.

Enquanto uma política de incentivo à indústria automobilística e o culto ao automóvel, que provoca tantas tragédias em nossas estradas, nada de incentivo ao transporte coletivo de massas.

Vimos que o transporte coletivo que deveria ser uma política pública das fortes no sentido de garantir uma qualidade de vida maior para a população dos grandes conglomerados e também uma proteção uma preservação maior do meio ambiente, o transporte coletivo das massas ainda é apenas mais um setor para a obtenção de lucro para uns poucos empresários. Qual foi a mudança que houve do ano passado para esse ano ou nos últimos anos aqui na Grande Florianópolis no transporte coletivo? As mesmas empresas continuam mandando e fazendo mais ou menos da forma que querem. É preciso que a sociedade tome posição com relação a essas questões que, efetivamente, busquem solucionar o problema a médio e longo prazo.

O contorno da Grande Florianópolis, da BR-101, que era para estar pronto em fevereiro de 2012, portanto, no próximo mês de fevereiro, vai fazer três anos, e sequer foi começado, espero estar vivo ainda quando ficar pronta essa obra, porque todo o transporte de carga entre o norte e sul deste país passa por dentro da Grande Florianópolis. Essa é uma realidade que precisa ser vista. E acham desculpas para justificar tudo, sempre, até o índio, pobre índio que é historicamente enxotado e explorado é usado como desculpa para não se fazer a duplicação, o contorno, o túnel, porque têm índios morando no lugar. Isso é um absurdo! Faz mais de dez anos que os indígenas que moram no Morro dos Cavalos dizem: Façam dois túneis. Se estivessem começado essa obra já estaria pronta. Os índios estão tendo noção de futuro e planejamento maior e melhor que os governos.

Eu já falei nesta tribuna também que o dia em que fizermos política, estradas e infraestrutura tão bem quanto fizemos Carnaval, o Brasil se desenvolverá. Sempre que queremos ironizar algo, dizemos que virou Carnaval, como sinônimo de bagunça, mas o Carnaval neste país se faz certo e se faz maravilhas que são aplaudidas no mundo inteiro. O que não se tem feito direito neste país é a política, o governo, a gestão pública e a administração pública. E se vê corrupção aqui na capital, como vimos na Operação Ave de Rapina; na serra, com a Operação Águas Claras; enfim, por todos os lugares, como é o caso da Petrobras e assim por diante. O que menos se vê são águas claras, estão muito turvas as águas. E se percebe, embora tenha havido uma manifestação de repúdio ao advogado que disse que neste país não se coloca uma lajota sequer em uma cidade pequena do interior sem pagar propina, e concordo que há um exagero, mas desgraçadamente fico com a impressão de que a desgraceira é quase parelha. Uso um termo lá do interior porque nunca vi tantos recursos, tantos projetos, tantos discursos e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para se fazer as coisas caminharem minimamente no sentido do avanço civilizatório, um avanço em qualidade de vida, em condições estratégicas para o desenvolvimento de uma sociedade. Sobre isso é preciso refletir! Tenho convicção de que as classes trabalhadoras um dia terão condições de capacidade organizativa para, efetivamente, começar a mudar os rumos da nossa sociedade inteira e deste país também.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)