49ª Sessão Ordinária - 14/05/2014
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, quem nos acompanha nesta sessão.
Ontem tive uma participação aqui nesta tribuna, nos debates que reputo não muito elegante, deputado Ismael dos Santos, sobre a questão das pontes, com o deputado Valmir Comin e com a deputada Ada Faraco de Luca.
Na verdade vim à tribuna para falar de outros assuntos em cinco minutos, mas, como a questão ponte veio para a pauta resolvi dar uma pincelada em uma ou duas frases. E aí evidente num resumo tão grotesco acabei dizendo coisas que não foram entendidas da forma como eu pretendia, pelo deputado Valmir Comin e pela deputada Ada de Luca.
Eu pretendia falar do lançamento deste livro ocorrido no final da tarde de ontem no Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina cujo título é A Dialética da Agroecologia.
Os Autores são doutores, PHDs, pós-doutores, Luiz Carlos Pinheiro Machado e Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho. Ou seja, duas gerações de professores da Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina.
O primeiro deles, o pai, foi inclusive professor da UFRGS, no Rio Grande do Sul, antes de vir para a Universidade Federal de Santa Catarina.
Tive a oportunidade de anunciar aqui a singela homenagem que fizemos ao José Graziano.
Mas quero falar mais a respeito deste livro e convidar os deputados que puderem acompanhar este lançamento. Um assunto, com certeza, importante.
A Dialética da Agroecologia, com o subtítulo, Contribuição para o Mundo com Alimentos sem Veneno.
Então esse é o grande desafio da humanidade. José Graziano trouxe não apenas a quantidade, mas a qualidade nutritiva e a ausência de venenos nos alimentos que comemos todos os dias.
Este é um assunto, portanto, que eu pretendia tratar na tarde de ontem e o faço agora.
E o segundo assunto seria para elogiar, permitam-me a minha singeleza de segundo sargento, empossado do mandato que policiais e bombeiros militares me conferiram em outros setores, também, mais especialmente, este. Quero elogiar o trabalho ponderado, legal, racional e ético do atual Comando do 4° Batalhão. E o faço com alegria.
Tenente Coronel Araújo Gomes, faço esse elogio com alegria pelo trabalho de comando frente ao 4° Batalhão e das posições que a Polícia Militar tem tomado em algumas situações conflitantes em nossa cidade capital. Na última vez, foi a questão da paralisação dos trabalhadores dos transportes coletivos, quando evitou o enfrentamento, evitou qualquer conflito e que o assunto fosse resolvido na esfera da negociação, entre trabalhadores e patrões ou na esfera judicial, na Justiça do Trabalho.
Anteriormente nos últimos anos podemos acompanhar, inclusive criticando outras autoridades nestas mesmas atividades e um comandante do passado, do 4° Batalhão, desta capital disse que eu o odiava porque ele combatia os movimentos sociais. A justificativa que ele nos deu ficou bem pior que o soneto. É tarefa de um policial militar combater os movimentos sociais ou é tarefa de um policial militar, especialmente de um comandante de unidade militar garantir o direito a livre manifestação ou aos direitos de garantias fundamentais de todas as pessoas? E se tem conflito vai acabar estando no meio deste conflito. E o coronel Araújo Gomes tem desempenhado bem, e de forma legal, racional e ponderada esses conflitos aqui na capital. E isso, evidentemente, nos alegra, no sentido de vermos que a nossa instituição está sendo usada para fazer o trabalho que a constituição lhe atribui fazer.
E é possível fazer sem aquela lógica de que o movimento social, seja ele qual for, o movimento dos trabalhadores, é sempre, diante mão, considerado como baderneiro, agitador e criminoso. Infelizmente, as autoridades tratam assim antes mesmo de começar uma disputa.
Mas por fim, e aí quero e aí preciso voltar às questões das pontes, deputado Padre Pedro Baldissera, para separar os dois assuntos. Eu fiz uma relação inclusive para ironizar com alguns posicionamentos de algumas autoridades do estado do passado, ou de um passado até recente.
Mas falo da ponte da BR-101, na região de Laguna, que passa sobre o canal de Cabeçuda. Já falei e considero que se construiu uma ponte maior, mais comprida que a necessidade. Existe um canal lá e até já foi feito um aterro na década de 50 ou 60, quando foi construída a BR-101, e foi deixado apenas 250 metros de canal, que é aonde vai a ponte, no mais, foi feito aterro.
E se falou alguns anos atrás e eu prestei atenção, que nessa altura do campeonato, décadas depois reabrir o canal, seria criar novamente impacto de mudança ecológica para dentro da Lagoa do Imaruí. Portanto, seria mais prudente, já que foi feito o impacto na época e agora a natureza da lagoa já se acostumou com essa realidade décadas depois, na minha avaliação, leiga, bastaria alargar o tamanho daquele mesmo aterro e fazer uma ponte de 200 ou 300m ao lado daquela. Já estaria pronta há dez anos com um gasto muito menor. Então, isso já falei, e trago elementos de especialistas.
E aí se decidiu fazer uma ponte de 2.800 metros que passa em cima da floresta, entra em cima do mar, dá volta dentro do mar e volta para o mesmo lugar que já passava a estrada. Ora, é evidente que a ponte ficou bonita, eu passei lá recentemente, como já havia passado nos últimos anos e detestado as autoridades que estavam com morosidade toda na duplicação da BR-10l sul. É obvio que a ponte está bonita, é obvio que tem que se parabenizar as empresas que estão fazendo, em tempo recorde, uma ponte de 2.800m, tempo recorde a partir do momento que começaram, porque demorou dez anos para se começar, para se decidir como é que se iria fazer a ponte, depois também teve as licenças ambientais e um dizia quero a ponte mais para lá e o outro, mais para cá. Mas depois que começaram a construção daquela ponte, está indo rápido. É evidente que tem que se elogiar a engenharia, a tecnologia, a capacidade humana de produzir e de realizar, cada vez em situações mais surpreendentes.
E aí o paralelo que eu queria fazer daquela ponte para a Ponte Hercílio Luz é justamente esse: uma ponte que foi construída há 80 anos, e ela completou esta semana 80 anos. Em 1926 foi inaugurada. Um jovem engenheiro norte-americano veio para cá solteiro, foi para a igreja, e não lembro agora qual era a religião dele, mas evidentemente que devia ser cristã, conheceu uma moça da capital, casou e ficou morando aqui. O jovem engenheiro, com operários locais, numa tecnologia de 80 anos atrás, construiu aquela ponte.
Eu defendo a ponte, e muito. Aliás, uma ponte que tem sido vítima há 32 anos, no mínimo, do descaso das autoridades; uma ponte que deveria ter estado em funcionamento durante essas três décadas, e poderia estar. Mas faz tempo que é imprudente e incorreto, de todos os pontos de vista, defender o trânsito de automóvel por cima daquela ponte. Pois é o que se continua jurando: "Vamos abrir a ponte até o final do ano - e fala-se isso em todo ano eleitoral - para a passagem de carros". Primeiro, que é mentira! Segundo, que não abrem. Eu escuto essa promessa há diversos meses de março do ano eleitoral. Terceiro, que é inconsequente falar em colocar automóvel em cima da Ponte Hercílio Luz. A ponte tem que ser uma passarela para pedestres e ciclistas, para as pessoas que são daqui ou para as que visitam esta cidade caminharem sobre a Ponte Hercílio Luz. E se apenas fizerem isso, ela já desafogará um pouco o trânsito de automóveis em cima das outras pontes, porque quem mora no estreito e trabalha no centro, ou vice-versa, poderá fazer esse trajeto caminhando num percurso relativamente curto, ou de bicicleta.
Então, a minha insurgência é com a morosidade e a falta de seriedade, permitam-me dizer, de todos os governos passados nos últimos 32 anos com relação à Ponte Hercílio Luz e à permanência e à continuidade do culto a automóvel. Só se faz qualquer coisa, se for para passar automóvel, mesmo sendo um erro técnico, social, político, ecológico e qualquer outro, e tem que ser refletido de outra forma!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)