47ª Sessão Ordinária - 10/05/2012
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, servidoras e servidores deste Poder, quem nos acompanha pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital.
Quero, na manhã desta quinta-feira, fazer o registro de um acontecimento importante na capital do estado, mais precisamente na Universidade Federal de Santa Catarina. Pela primeira vez na história da nossa UFSC, que tem mais de 50 anos, vão assumir a reitoria duas mulheres: a professora Roselane Neckel, como reitora, e a professora Lúcia Helena Martins Pacheco, como vice-reitora, em decorrência de um processo eleitoral realizado em novembro do ano passado. A posse será na noite de hoje, às 19h, no Centro de Cultura e Eventos da mesma universidade.
Quero não apenas registrar esse fato importante, duas professoras à frente da Universidade Federal de Santa Catarina, mas também a relevância da nova baliza política, programática de compreensão da universidade, da sociedade, do papel do ensino, do papel da pesquisa, do papel da extensão e do trabalho universitário voltados para uma determinada lógica de pensamento societário diferente da que vínhamos presenciando desde a fundação da UFSC. Duas mulheres que romperam com a direção política presente na universidade de forma histórica e persistente.
É evidente que tivemos diversos reitores nesse período, alguns mais abertos ao diálogo, outros nem tanto, principalmente no passado, antes da chamada redemocratização das universidades brasileiras, alguns vinculados diretamente aos setores mais fechados da sociedade, mais à direita, usando o termo tradicional, clássico, que para mim continua muito válido.
Pela primeira vez na história da UFSC o movimento popular à esquerda ganhou a administração central, a reitoria, por eleição, através do voto paritário, entre os três segmentos da instituição. A esquerda venceu a eleição com duas mulheres à frente: a professora Roselane Neckel e a professora Lúcia Helena Pacheco, que assumem na noite de hoje, repito, o comando da mais importante universidade de Santa Catarina.
Tive a oportunidade, quando jovem, de estudar numa universidade pública, oportunidade que, infelizmente, é dada a uma minoria de jovens brasileiros. Não entendo isso como um privilégio, mas como um direito da juventude, um direito da sociedade que precisa ser ampliado, pois todos os jovens do nosso país deveriam ter a possibilidade de ingressar numa universidade pública, seja federal, estadual ou municipal.
Então, tive a grata satisfação de, na primeira metade da década de 90, estudar naquela universidade e de haver participado do movimento universitário, do movimento estudantil do Centro Acadêmico, do Diretório Central dos Estudantes, enfim, do movimento universitário no seu conjunto, juntando os três segmentos e buscando, inclusive, trazer a sociedade para dentro da universidade para discutir uma proposta mais voltada para os efetivos e reais interesses e problemas da sociedade catarinense.
Buscamos fazer isso na década de 90, entendendo que a sociedade que paga pela existência da universidade através de impostos, evidentemente precisa ter um retorno maior. Existe um retorno, mas existe também uma vinculação de caráter programático, ideológico e, por que não dizer, com os setores mais abastados da sociedade, o que faz com que os grandes monopólios acabem também controlando os desígnios e o futuro das universidades.
Então, esse histórico de militância e esse debate que continua no interior da UFSC tem sido reacendido pelo movimento estudantil, chamando os outros setores, nos últimos dois, três anos, para um movimento pela construção de uma universidade popular. Não de fazer um chalezinho ao lado para dizer que aquele é do povo. Não é isso. O conjunto da universidade precisa ser popular porque é pago pelo conjunto da sociedade, e do nosso ponto de vista é pago por aqueles que trabalham efetivamente, ou seja, pela classe trabalhadora que produz a riqueza e que financia tudo, inclusive a universidade.
A nossa alegria e satisfação é de compreender que com as professoras Roselane Neckel e Lúcia Helena Martins Pacheco poder-se-á avançar nessa direção. Evidentemente que não temos ilusões de que a universidade pode existir como uma instituição socialista no interior da sociedade brasileira atual, mas com certeza é possível redirecionar os objetivos, inclusive os orçamentos, no sentido de abrir mais a universidade para o conjunto da sociedade, especialmente para aqueles setores que historicamente não têm acesso à universidade e para aqueles que não têm uma vida melhor proporcionada pelo conhecimento produzido na universidade, pela extensão produzida pela universidade.
Então, a nossa alegria é de ter claro que podemos dar alguns passos nessa direção a partir deste momento, inclusive pelo conjunto de pró-reitores, diretores, coordenadores que também estarão fazendo parte da nova administração.
A partir desta tribuna e deste modesto mandato de deputado estadual, como filho de agricultor pobre, de um praça da Polícia Militar, portanto pobre, que teve a oportunidade de estudar numa universidade federal, repito, não o privilégio, pois deveria ser um direito de todos os jovens brasileiros, e ter a possibilidade de a partir daqui parabenizar a comunidade universitária pela decisão, bem como parabenizar todos aqueles que participaram de forma democrática do processo e a todos os militantes do movimento universitário que construíram esta possibilidade, especialmente as professoras Roselane e Lúcia, que a partir de hoje serão reitora e vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina.
Era esse o registro que gostaria de fazer, sr. presidente. Estaremos presente no ato de posse e, com certeza, viremos a esta tribuna para falar mais a respeito do assunto no decorrer do mandato das duas professoras.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)