Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado José Carlos Vieira

3ª Sessão - 19/01/2006

O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, quero voltar a esse assunto e procurar relatar aquilo que ouvimos ontem. Os ataques que foram feitos aqui mostram a atitude de alguns deputados.

Entendo que o povo que nos elegeu, que elegeu os parlamentares, não gosta de deputado morno. O povo quer deputados com decisão, com opinião. Aliás, um versículo do Apocalipse diz o seguinte: "Os mornos poderão ser vomitados pela vontade de Deus." E se a voz de Deus é a voz do povo, a voz do povo é a voz de Deus, isso realmente pode acontecer.

Mas, por outro lado, ensina também um grande teólogo, Santo Agostinho, as lições de Aristóteles, no sentido de termos prudência, que significa pensar e repensar os nossos atos. O ímpeto é importante. E os deputados que assomaram a tribuna ontem tiveram esse impulso ou ímpeto, uns motivados pela indignação e até pela raiva, que é um tipo de ímpeto que eu discuto, pois acho que temos que ter uma razão. O deputado Antônio Carlos Vieira, por exemplo - é uma pena que não esteja presente aqui -, vejo muito motivado por uma indignação por um assunto pessoal; ele está levando para o campo pessoal as coisas que têm acontecido aqui na tribuna.

Gostaria que estivesse aqui também o deputado Joares Ponticelli, que ontem, na minha opinião, se excedeu, porque num gesto impetuoso solidarizou-se imediatamente com o deputado da Oposição, por ser oposição simplesmente e teve o impulso de atacar e de acusar uma entidade de extrema respeitabilidade como é a Associação Comercial e Industrial de Joinville.Atacou não só a instituição, como também mais de mil pequenos empresários que estiveram presentes naquele evento tão importante, que hoje é o maior evento do sul do país - a ExpoGestão.

Não é um evento social, como foi tratado aqui, simplesmente como um coquetel para empresários. Nada disso, sras. deputadas e srs. deputados, mas a ExpoGestão reuniu empresários de toda Santa Catarina desejosos, ansiosos em aprender gestão de negócios. Se há uma coisa que nós padecemos hoje em nosso país é pela falta de condições do empresariado tocar adequadamente seu negócio neste mundo globalizado, nessa época de concorrências acirradas.

É preciso aprender, é preciso saber. E a ExpoGestão é um evento que se tem destacado com esse objetivo. É o maior evento reunindo empresários, justamente porque lá se aprende muito. Passaram uma semana em seminários, aprendendo, tirando lições importantes para gerar empregos, para produzir e distribuir riqueza em Santa Catarina.

Lá, deputado Nilson Gonçalves, não esteve meia dúzia de empresários num coquetel, mas foram l.122 empresários. Meia dúzia pode ser que seja de grandes empresários, mas mais de mil eram pequenos e microempresários que trabalham no seu dia-a-dia. E houve o ímpeto por parte do deputado Joares Ponticelli em logo assomar à tribuna para falar até em cachaça, que se pagou cachaça! E não se serviu cachaça, absolutamente, em lugar nenhum na ExpoGestão! Foi um exagero!

Agora, o deputado Dionei Walter da Silva, na minha opinião, teve o ímpeto, o impulso, motivado por uma denúncia irresponsável levada às suas mãos, que o confundiu. Apresentaram uma nota fiscal cujo valor superou R$ 1 milhão. Esse dinheiro saiu da comunidade de Joinville, saiu de contribuição do empresários, que pagaram a sua inscrição, saiu de recursos do município de Joinville, e apenas R$ 60 mil, do Fundo Social.

Na minha opinião, entendo ser justo que tenham sido aplicado recursos do Fundo Social num evento tão importante quanto a ExpoGestão. Apresentaram uma nota desses R$ 60 mil para o deputado Dionei Walter da Silva e s.exa. correu para esta tribuna de forma precipitada, na minha modesta opinião, para dizer que aqueles R$ 17 mil tinham sido aplicados em cerveja e bebidas.

Ora, sras. deputadas, srs. deputados e público que nos ouve, tenho aqui em mãos a cópia da prestação de contas e não se pagou sequer refrigerantes e muito menos bebida alcóolica, como foi denunciado aqui! O valor foi utilizado apenas para as despesas necessárias, diante de tanta gente que lá acorreu para também colaborar na recepção que aconteceu. Mas não foi utilizado dinheiro, como comprova a Associação Comercial e Industrial de Joinville. Os R$ 5.600,00 não foram utilizados sequer para pagamento dos refrigerantes, quanto mais para cerveja. Evidentemente não houve cachaça nenhuma, como falou aqui o deputado Joares Ponticelli, exagerando. Por ser um deputado da Oposição, não deve chegar a esse ponto, porque o público que está-nos ouvindo confunde-se, como disse o deputado Nilson Gonçalves.O público se confunde, sim, quando nós, por nos digladiarmos por questões, às vezes, pessoais, por ser Oposição, apenas por um certo açodamento, começamos a usar um documento indevidamente.

Então, a responsabilidade me fez vir a esta tribuna dizer que a ExpoGestão é um evento importantíssimo que deve ser repetido neste ano e que a Associação Comercial e Industrial é uma das entidades mais ilibadas e importantes do estado de Santa Catarina.

O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Pois não!

O Sr. Deputado Nilson Gonçalves - Deputado José Carlos Vieira, há pouco o deputado Onofre Santo Agostini utilizou a tribuna e foi muito feliz na explanação que fez ao se referir ao cuidado que se deve tomar quando se faz uma acusação. Isto é fundamental porque é muito fácil utilizar a tribuna e descascar o pau, como dizem, sem muita preocupação com as conseqüências.

E não é só nesta Casa que isso acontece. Acho que nas Casas Legislativas do país inteiro o deputado, quando está fazendo Oposição - e isso não é uma regra geral - não tem muita preocupação com as conseqüências do que está falando. A preocupação dele é dourar a pílula e passar para a opinião pública que ele é o dono da verdade, quando, na realidade, ele está fazendo o papel de Oposição, e muitas vezes uma Oposição inconseqüente, como acontece nesta Casa de vez em quando.

Critica-se sem fundamento, critica-se apenas e tão-somente porque é Oposição. Precisam marcar o ponto, precisam marcar suas presenças como opositores na Casa e aí descem o cacete e não querem nem saber quem vão acertar. Aliás, querem, sim! Sempre há um endereço: o governador do estado.

Neste episódio, mais uma vez, jogaram toda a crítica praticamente em cima do sr. governador do estado, quando, na verdade, ele não tomou decisão nenhuma. A decisão foi de um colegiado responsável, formado por pessoas extremamente idôneas, que representam o município de Joinville de maneira muito digna. Por isso, não poderíamos, de forma alguma, ficar calados.

Quero parabenizá-lo pelas suas palavras, assim como também a deputada Simone Schramm, e dizer que temos a obrigação de defender os nossos empresários, o nosso povo de Joinville, a nossa gente séria daquela cidade e o nosso governo que, acima de tudo, está preocupado com o bem-estar de Santa Catarina.

Parabéns, deputado José Carlos Vieira!

O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Sr. presidente, nestes últimos segundos quero apenas dizer que espero que o deputado Dionei Walter da Silva reconheça o equívoco e que a Oposição não se paute apenas pelo denuncismo e, principalmente, que pense antes de atacar instituições ilibadas como a Associação Comercial e Industrial de Joinville, como o microempresariado daquela cidade tão produtiva e de todo o estado de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)