Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Aguiar

63ª Sessão Ordinária - 01/09/2005

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO AGUIAR - Sr. presidente e nobres deputados, hoje, quero referir-me à comemoração dos 20 anos do primeiro transplante de fígado no Brasil. Pelo jeito há alguns deputados que talvez precisem de um transplante de fígado.

A primeira cirurgia ocorreu há 20 anos e durou 23 horas. Ela mobilizou 20 médicos do Hospital das Clínicas de São Paulo. Naquela ocasião, o ato médico de maior complexidade na medicina foi do chefe da equipe, o cirurgião Silvano Raia, que no jornal Estado de S. Paulo, na reportagem do dia 28 de agosto, relata muito bem a importância daquele ato médico para o Brasil.

Quando foi realizado o primeiro transplante de fígado no Brasil houve necessidade de mais de 50 litros de sangue. Hoje, são gastos menos de cinco litros de sangue. Então, com essa evolução, estão sendo realizados no Brasil inteiro muitos transplantes de fígado.

A idade limite para um receptor era de 45 anos de idade; hoje, temos pacientes com 78 anos de idade sendo transplantados.

No Brasil existem 62 equipes habilitadas para realizar transplantes de fígado. Em Santa Catarina nós fazemos referência ao Hospital Santa Isabel, da Sociedade Divina Providência de Blumenau. Assim, Blumenau é o ícone de transplante de fígado no estado de Santa Catarina, não é, deputada Ana Paula Lima? Está de parabéns a cidade de Blumenau por esta parte científica tão bem desenvolvida em nosso estado.

No ano de 2004 foram realizados no Brasil 934 transplantes de fígado. Desde 1985 até hoje foram realizados 3.993 desses procedimentos no país. Em Santa Catarina já foram realizados 12 transplantes de fígado. Então, foram feitas, em nosso estado, 43 cirurgias, mas 45 pacientes estão na lista de espera para fazer o transplante.

Quando ampliamos o cenário para o plano nacional, nós nos deparamos com um grande número de pacientes: em São Paulo estão na lista de espera 3.389 pacientes; no Rio de Janeiro, l.192 pacientes; no Paraná, 438 pacientes; no Rio Grande do Sul, 393 e em Pernambuco, 366. Esses são os cinco estados com o maior número de pessoas na lista de espera para transplante de fígado.

Em Santa Catarina, de uma maneira geral, para fazer os transplantes de vários órgãos existem 1.025 pacientes à espera de transplantes de córnea; para transplante de coração existem 13 pacientes; para o de fígado, 45 pacientes; para válvula cardíaca, nove pacientes; para transplantes ósseos, 33 pacientes; para medula óssea, 13 pacientes; para rins e pâncreas, três pacientes; para esclera, seis pacientes e para transplantes de rins, 347 pacientes.

Em geral, a evolução no quadro dos transplantes no estado de Santa Catarina foi a seguinte: em 1999, foram feitos 128 transplantes; em 2000, 157; em 2001, 234; em 2002, 283 pacientes foram transplantados.

Ora, diante deste quadro de transplantes que faz com que nós reflitamos sobre a vida, sobre o momento difícil que vivemos, temos alguns dados estatísticos da secretaria da Saúde. São números que podem dizer pouco, muitas vezes não sensibilizam as pessoas e até parecem frios, mas utilizo todos esses argumentos estatísticos para mostrar que, embora haja uma grande evolução da medicina, em suas várias especialidades há uma demanda crescente de pacientes que esperam por transplantes na esperança de retornarem a uma vida normal.

Na condição de médico único do atual Parlamento catarinense, vejo-me na obrigação de sensibilizar e estimular as doações de órgãos para transplantes. É nos momentos difíceis da perda de um familiar ou de amigo, num acidente imprevisto, que precisamos tomar decisões rápidas, acionar equipes médicas capazes de aproveitar órgãos em condições de serem transplantados para salvar outras vidas.

São formas de compensar perdas e de ser solidário com o próximo, ainda que esse possa ser um desconhecido; de praticar o bem e fortalecer vínculos com a humanidade, que é também a essência do ato médico.

Era o que tinha a dizer, sr. presidente.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)