67ª Sessão Ordinária - 15/09/2005
O SR. DEPUTADO JOSÉ CARLOS VIEIRA - Sr. presidente e srs. deputados, recebi uma correspondência de um grande amigo, de grande vulto nacional, um grande nome da política brasileira, um homem digno de ser citado neste momento que vivemos no país, porque é um político que sempre honrou os cargos que ocupou. É um homem que sem dúvida alguma em nível de todos os partidos merece o reconhecimento, o apreço, o respeito, como tem sido consignado em muitas ocasiões no Congresso Nacional e em todas as aparições desse nosso senador em todos os recantos do nosso país.
Falo do senador Marco Maciel. Acabo de receber uma correspondência sua, mais um dos seus estudos importantes. Sim, porque o ex-vice-presidente Marco Maciel é também um estudioso. Publicou vários livros e tem-nos trazido sempre a luz dos seus conhecimentos, para nos orientar muito mais do que o faria em circunstâncias apenas de um político normal. O senador Marco Maciel avança, sempre, no tempo e traz-nos informações, orientações, sobremaneira importantes.
Quero destacar que o vice-presidente da república que conheci, Marco Maciel, foi um homem extremamente digno na sua conduta como vice-presidente. Sempre com um passo atrás, sempre recatado, mas quando chamado para as missões sempre as desempenhou a contento, muito mais do que isso, sempre desempenhou suas funções de presidente da república honrando o cargo que ocupou por dois mandatos.
Trago, sras. deputadas e srs. deputados, para nossa reflexão, as palavras do nosso hoje senador Marco Maciel: conviver é mais que vencer. Trata-se de palavras em favor da educação. E acredito que neste momento que estamos vivendo, sem dúvida alguma, o país todo percebe que os acontecimentos que macularam a política brasileira nesses últimos meses decorrem também de um problema fundamentado com a falta de educação do nosso povo brasileiro.
Quero pedir a permissão, sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, para discorrer um pouco mais sobre essa carta do nosso senador Marco Maciel sobre a educação.
Fala ele assim:
(Passa a ler)
"Educação, mais do que o ensino, lida com valores do mesmo modo que a cultura trata de crenças, hábitos e costumes.
É por isso que os comportamentos coletivos terminam sendo resultado da interação entre cultura e educação. A cultura política como a cultura cívica são partes desse conjunto de valores que toda civilização cultiva, propaga, conserva e transmite de geração em geração, recriando-a de forma permanente. É nesse sentido que a educação deve ser uma educação liberal, porque deve libertar o homem da ignorância e dos preconceitos, para desfrutar e exercer sua liberdade de julgar, criticar, avaliar e ter aspirações e esperanças, comunicar seu pensamento, fazer suas próprias escolhas, exercer, enfim, o livre arbítrio com os conhecimentos que a educação lhe proporciona, para que não dependa de julgamentos alheios.
A educação liberal impõe assim a cada indivíduo sentir-se integrado em sua cultura, participante dela e capaz de enriquecê-la. A educação liberal consegue libertar o homem do medo, da insegurança e do temor do desconhecido, levando-o a compreender os valores em que acredita e identificar os símbolos de sua própria identidade, da cultura em que vive, do mundo que o cerca e das limitações que deve vencer, independentemente de sexo, idade e religião, suas crenças e seus valores, suas condições econômicas e suas posições na sociedade.
A educação liberal, portanto, deve ser o espaço dessas práticas que não se esgotam na transmissão do conhecimento nem na informação, mas que exigem um compromisso com as condições de vida que permitem a cada criança, jovem, adolescente ou adulto procurar seu aprimoramento moral, seu desenvolvimento intelectual e sua vivência cultural como forma de enriquecer o patrimônio resultante de vida em comunidade.
Por isso, a escola liberal deve buscar também a igualdade e a excelência, pois desses objetivos dependerão a cultura cívica e a cultura política necessárias ao fortalecimento e aprimoramento da democracia, nosso maior e mais importante compromisso."
(Cópia fiel)
É assim, sr. presidente, que queremos, neste momento, enaltecer e endossar as palavras do senador Marcos Maciel, como guia, como rumo, como indicação daquilo que devemos propagar.
Gostaria de dizer que entendo que ao lado desse esforço nacional, que deve ser continuado em favor da educação, devemos buscar resgatar em cada ser humano, neste momento que vive no solo de nosso país, a cidadania, a condição de querer produzir um trabalho digno, porque muitos são aqueles que já se decepcionaram, muitos são aqueles que, vendo o caos em que se transformou a política brasileira, dizem de que vale eles trabalharem, labutarem, se todo o nosso país, lá em cima, está corrompido?
É preciso dizer a cada uma dessas pessoas que temos um país muito grande, muito diverso e rico e que somos milhões e milhões de habitantes que hoje produzem, lutam, trabalham no dia-a-dia e que os fatos acontecidos constituem uma crise monumental, sem dúvida. Mas é exatamente nas crises que se deve buscar o aprendizado.
Por isso, no aparte que fiz ao deputado Vânio dos Santos, ainda hoje pela manhã, sr. presidente, eu disse que de fato o que aconteceu ao PT é lamentável, mas se trata também de um aprendizado. O fato que aconteceu ao PMDB, anos atrás, quando governou o país inteiro, detinha 22 dos estados brasileiros e não conseguiu implementar as políticas públicas que desejava, foi, sem dúvida nenhuma, para aquele partido, naquela época, um aprendizado.
Hoje, estimo que o PT se recupere, que possa de fato honrar a sua história, mas que tome tudo isso que aconteceu como uma lição, uma lição de que nós todos somos iguais, de que nós todos, juntos, devemos vigiar, dia a dia, a democracia. Como disse Tancredo Neves, em sua célebre frase: "A democracia necessita ser vigiada dia a dia." Isto é bem verdade porque as instituições são compostas de homens, e os homens são falhos, são tendentes a problemas.
Na religião ensina-se, sr. presidente, que os homens são tendentes ao pecado. Portanto, é preciso vigiar dia a dia cada cidadão que ocupa um cargo de importância da nação.
Para isso temos as instituições, que precisam ser livres; as instituições precisam florescer na democracia. E para conquistar isso é necessário que eduquemos o nosso povo da forma como nos traz o senador Marco Maciel, ou seja, o povo para ser verdadeiramente livre, para alcançar aquele padrão de vida que todos nós queremos, para cooperar em sociedade, deve ser adequadamente educado.
Portanto, a nossa saudação daqui da tribuna ao grande senador Marco Maciel por: "Conviver é mais que vencer".
Obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)