4ª Sessão Ordinária - 25/02/2003
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, é com muita honra que ocupo hoje a tribuna desta Casa, manifestando-me pela primeira vez como Deputado. Um sonho, por muitos anos sonhado, conseguido com muita dificuldade.
Gostaria, no dia de hoje, que na minha vida pública considero uma data histórica, de homenagear, mesmo que de forma singela, o Parlamento e a imprensa. O Parlamento que quero e conheço é um Parlamento transparente, um Parlamento democrático. E a imprensa que quero, é uma imprensa livre.
Homenageio hoje o jornal A Notícia pelos seus 80 anos de fundação. O jornal de cidade de Joinville, que na data de ontem completou 80 anos.
Gostaria, então, de ler um pequeno discurso que fiz à respeito da atividade parlamentar e uma linha paralela: o trabalho da imprensa.
(Passa a ler)
Assomo neste momento à tribuna desta Casa e pretendo manifestar, de forma ainda que objetiva num modesto paralelo entre atividade parlamentar e a de imprensa, a minha satisfação pelo transcurso dos 80 anos do importante jornal catarinense A Notícia.
Na condição de representante da soberania popular, o Parlamentar, por dever de ofício, manifesta, pelo menos em tese, a defesa dos interesses populares, muitas vezes sob pesada pressão de interesses, em sua maioria conflitantes com aqueles aos quais o Parlamentar de representar.
A imprensa, igualmente, e isso a história comprova, ainda que posicionada em defesa dos interesses populares, teve a sua atividade obstruída, muitas vezes de forma violenta, em benefício de outros que não os verdadeiros soberanos - o povo.
Reconhecendo nesse breve paralelo a sua importância e ao mesmo tempo homenageando-o, passo a recordar a história desses 80 anos de convivência da nossa sociedade catarinense com esse baluarte da imprensa catarinense e brasileira, denominado jornal A Notícia.
É preciso antes lembrar que a Joinville da década de 20 era um Município com 25 mil habitantes. Mais de 90% comunicava-se em alemão.
Aurino Soares, nascido na área contestada de Palmas, no Paraná, tinha, segundo a história escrita por Apolinário Ternes, a cor levemente amorenada, fala fluente, gestos largos e o sonho de ter um jornal. E decide fundá-lo exatamente em Joinville, sem conhecer uma palavra sequer do idioma de Goethe, numa época onde as notícias eram lidas no Kolonie Zaitung, escrito na língua dos imigrantes colonizadores.
E, no dia 24 de fevereiro de 1923, Aurino Soares põe em circulação o primeiro número do jornal semanário. Em pouco tempo A Notícia passou a circular duas vezes por semana. Depois, pula para três edições semanais e, sete anos depois, circulava todos os dias, menos às segundas-feiras.
Em 1940, A Notícia se torna uma empresa sólida, com dezenas de empregados, sede própria e oficinas gráficas das melhores do Sul do País. Tanto que publicava, de 1940 em diante, uma revista semanal ilustrada em cores, com 24 páginas.
Do Rio de Janeiro a Porto Alegre era reconhecido como um grande jornal. Tudo isso aconteceu até o dia 17 de dezembro de 1944, quando o fundador morreu vítima de um aneurisma. A empresa fechou, e por 18 meses A Notícia não circulou.
Mas o sonho de Aurino Soares não era o sonho de quem sonha só. E o trabalho para concretizá-lo deixou marcas indeléveis que clamavam por uma continuidade.
E A Notícia voltou, no dia 1º de maio de 1946, para viver a segunda fase de sua história, sob o comando da família Ramos Alvim e o patrocínio de Aderbal Ramos da Silva, que se elegeria Governador de Santa Catarina em seguida, com o decisivo apoio de A Notícia.
O mundo passa por mudanças e revoluções. O Brasil começa a produzir boa parte do que precisava comprar lá fora, impulsionando a indústria, notadamente a de Joinville. Inovações no setor tecnológico e mudanças nos pensamentos políticos e filosóficos motivavam o surgimento de novos conceitos e desafios.
A Notícia, assim como os grandes jornais do País, consolidava-se pelo talento de seus gestores e funcionários, num veículo de comunicação ágil e de grande importância a uma população cada vez mais ansiosa pela informação.
De 1956 a 1978 o jornal foi comandado por um grupo de 150 acionistas, entre os quais se destacavam Helmut Fallgatter (que seria Prefeito de Joinville de 1961 a 1965), Baltasar Buschle também Prefeito de 19558 a 1961) e Wittich Freitag, duas vezes Chefe do Executivo duas décadas depois.
De 1978 em diante, a família Fallgatter continuou investindo, garantindo a última e excepcional fase do jornal, que volta a repetir os feitos de suas duas primeiras décadas de existência.
Nas palavras do jornalista e historiador Apolinário Ternes, ‘a coexistência de política e jornalismo é antiga em qualquer lugar e, sem este, aquela não acontece’.
Em 1978 assume a direção o então professor Moacir Thomazi, que projeta, coordena e consolida a fase moderna de A Notícia, uma das empresas do setor de comunicação que mantém, ao longo dos últimos anos, persistente nível de crescimento, sempre acima da média nacional. E a principal causa para esse crescimento é a preservação da sua história, do seu patrimônio editorial, aliada a certeza da necessidade de contínua modernização.
Foi também acompanhando as extraordinárias mudanças tecnológicas do setor, especialmente nas duas últimas décadas, que A Notícia se tornou um jornal adulto e maduro.
Sendo um produto tão perecível, o jornal, requer cuidados especiais para a manutenção de sua atividade, numa constante e feroz disputa do mercado com outras tecnologias de informação. Por isso, A Notícia também chegou a Internet, com o mesmo espírito ousado de seu fundador.
Mudam-se os tempos mas permanece a indispensável participação de profissionais gabaritados em todos os setores. Hoje, um grupo de 600 pessoas. Mais de 100 jornalistas.
O jornal A Notícia, há 80 anos vem acompanhando a trajetória de Joinville - de 25 mil habitantes em 1923 aos 500 mil de hoje - de Santa Catarina, com quase 6 milhões de pessoas, do Brasil e seus 175 milhões... e do planeta, com 6,5 bilhões de leitores.
A cada dia, com chuva ou com sol, foi sendo construída a história desse empreendimento que hoje soma 22,6 mil edições. Sintetizando, comentando, tentando compreender o extraordinário espetáculo da vida.
Aos 80 anos, os continuadores do sonho de Aurini Soares sabem que o desafio de A Notícia é não se iludir com a longevidade, mas saber se renovar a cada dia.
E hoje, citando os nomes dos jornalistas Paulo Prisco Paraíso, Moacir Pereira, Antônio Neves e Pedro Schmitt, gostaria saudar a todos os jornalistas, diretores e funcionários desse importante veículo de comunicação de Santa Catarina."
Sr. Presidente, homenageando hoje, no meu primeiro discurso, os Srs. Parlamentares, o jornal A Notícia, gostaria também de desejar um feliz aniversário ao nosso Governador. Luiz Henrique da Silveira.
Gostaria, Sr. Presidente, que ficasse registrado nos Anais o meu discurso sobre os 80 anos de fundação do jornal A Notícia.
Para encerrar, gostaria de aproveitar a oportunidade e fazer uma homenagem aos eleitores do meu querido litoral e da minha querida região de Brusque.
Agradeço a todos aqueles que acreditaram que é possível o litoral catarinense, o litoral Norte e a região de Brusque ter uma voz neste Parlamento. Uma região do litoral que compreende Bombinhas a Barra Velha, muitas vezes esquecida pelo Governo Estadual; uma região, a qual a palavra sazonalidade tem o mesmo efeito que um tiro certeiro e mortal, uma palavra que causa grande prejuízo a nossa região. Mas parece que estamos no caminho certo com o início da descentralização.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)