81ª Sessão Ordinária - 16/10/2003
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna hoje para fazer referência a um fato que considero importante e histórico em Santa Catarina.
Refiro-me ao fato de agora estarmos comemorando 15 anos de fundação de um dos maiores sindicatos, combativo, lutador, aguerrido, que é o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual de Santa Catarina - Sintesp.
Acho extremamente importante recuperar historicamente o contexto em que nasce esse sindicato, porque ele é derivado do contexto em que o Brasil se mobilizou em torno da Constituinte cidadã, liderada pelo democrata e saudoso Dr. Ulysses Guimarães.
Naquele momento, o Brasil estava se desfazendo dos entulhos autoritários que maculou, que deixou profundas cicatrizes e que abafou a luta sindical neste País.
O funcionalismo público sem ter direito à organização sindical ficou escondido por trás de associações que tinham cunho social, em que não era dado o direito de organização, de autonomia, de construção das suas entidades de caráter sindical representativo.
Na época, eu era assessor do movimento sindical em Santa Catarina, pois aqui coordenava o escritório regional do Dieese, e acompanhei de perto a luta de resistência dos trabalhadores e do funcionalismo público para recuperar a sua dignidade e a construção de um sindicato que fosse a sua ferramenta representativa de atuação nas lutas.
Faço questão de, aqui da tribuna, neste momento em que comemoramos 15 anos de fundação sindical, de fazer alusão aos membros da primeira diretoria desse sindicato.
A diretoria desse sindicato tinha como Presidente o Sr. Antônio Luiz Battisti, hoje Vereador do Município de São José; como Secretário-Geral o Sr. Antônio Odorizzi; como Primeiro Secretário o Sr. Leonir Santini; como Diretor de Economia o Sr. Hélio da Silva; como Diretor de Finanças o Sr. Célio Maciel Machado; como Diretor Adjunto de Finanças o Sr. Paulo Roberto Gasparino da Silva; como Diretor de Imprensa e Divulgação a Sra. Soraia Dornelles Schoeller; como Diretor de Formação e Política Sindical o Sr. Paulo Guilherme Rumer; como Suplentes os Srs. Alzemi Machado, Emilson Nei Vasques, Rudi Pereira Lopes, Rubem Farchi, João Cunha; e no Conselho Fiscal a Sra. Célia Maria Lopes e os Srs. Nelson Steiner e Álvaro Barros da Silveira.
Foram esses que tiveram o registro histórico de presidir e conduzir a primeira diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Santa Catarina.
A eles quero enviar a minha homenagem e dizer que através desses lutadores e guerreiros, homens e mulheres responsáveis pela condução do destino da emancipação dos trabalhadores, é que conseguimos deixar marcas importantes na história de Santa Catarina, organizando a luta dos trabalhadores.
Faço questão também de me referir à primeira pauta de reivindicações, e aqui vejo por detrás dos vidros do Plenário a companheira Joaninha, também uma lutadora, dirigente sindical, que está acompanhando esta sessão de hoje. Esta primeira pauta empunhada por esses companheiros, por esta categoria trazia como reivindicação a incorporação de 230%; o reajuste de 145%, dadas as altas taxas inflacionárias; a produtividade de 12%; a implantação de uma política de reajuste salarial e o pagamento total da dívida do gatilho salarial.
Além da retirada das faltas das fichas funcionais referentes à greve de 1987, quando os organizadores eram punidos e descontados do seu contracheque, do seu mísero salário, porque queriam melhorar a sua condição de vida; o vale- transporte; creche; o fim da contribuição previdenciária para aposentados, que já era o não-pagamento dos inativos; a licença sem vencimento; a aposentadoria integral; a estabilidade do emprego e assim por diante. Um conjunto de lutas importantes e ainda pertinentes e na pauta do dia-a-dia.
Portanto, quero homenagear esses companheiros lutadores e dizer que foi muito bom estar nesta caminhada, desde 1988.
Quero, também, fazer da tribuna, um pronunciamento referente a esse tema tão contravertido que paira e ronda Santa Catarina, que é o problema da duplicação da BR-101.
Eu não concordo em absoluto com aqueles que querem tirar uma casquinha da dor e do sofrimento do nosso povo, aqueles que querem aparecer como líderes de uma bandeira nobre, mas na verdade metem o pé pela mão e não conseguem conduzir com seriedade.
Estou me referindo à sua entrevista, Deputado Manoel Mota, hoje de manhã, na Rádio CBN, que mais uma vez, de maneira fanfarrona, responsabiliza o Governo Lula pelos cadáveres, como se V.Exa. também não tivesse responsabilidade como homem que apoiou o Governo Fernando Henrique no seu primeiro mandato, como o apoiou no segundo mandato, inclusive o seu Partido teve uma vice-Presidente da República, a Deputada Rita Camata, na chapa do José Serra que queria a continuidade daquela situação. E agora vem querendo responsabilizar, de maneira maniqueísta, simplista, o Governo.Deputado Manoel Mota, vamos ser mais responsáveis, a vida não é tão simples assim: 08 ou 80.
Eu sei que é uma dor profunda a do povo catarinense, mas nós não podemos politizar desse jeitinho maroto, nós precisamos conversar em outro nível, num nível mais elevado, mais sereno.
Hoje à tarde estarei aqui exatamente para fazer este debate e não permitir esse tipo de agressão gratuita, que considero equivocada. Este não é um problema que se resolve assim. Uma rodovia como a nossa, com o problema que temos, não é fácil de resolver, mesmo que o seu Governo, o Governo de Fernando Henrique Cardoso, não tivesse deixado nenhum problema do ponto de vista da legalidade do edital da BR-101; e mesmo que se tivéssemos entregado ao Lula com tudo resolvido, tudo arrumadinho, nós não teríamos, em 10 meses, resolvido este problema.
Todos nós sabemos que essa é uma área delicada, cheia de ilegalidades...
O Sr. Deputado Manoel Mota (Interferindo) - Eu acho que V.Exa. está equivocado!
O SR. DEPUTADO AFRÂNIO BOPPRÉ - Eu não lhe dei o aparte, por gentileza!
Nós precisamos desatar, pacientemente, os entraves, precisamos conversar. Nós precisamos recuperar um tom ameno na discussão do problema.
Quero dizer que não aceito este tipo de oportunismo do Deputado Sérgio Godinho desta tribuna. A Deputada Ana Paula Lima está coberta de razão. O Deputado Sérgio Godinho se diz da base do Governo Lula, parece mais elefante dentro de museu, quanto mais se mexe, mais quebra. V.Exa. ocupou a tribuna, falou, falou e não disse nada, infelizmente.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)