67ª Sessão Ordinária - 13/09/2001
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, volto à tribuna no dia de hoje, mais uma vez, para repercutir a situação mundial.
Quero, inclusive, lamentar esta Casa não estar abrindo através da sua tribuna, através do canal de comunicação da população, a TVAL, uma reflexão mais profunda do grave momento político e econômico, social que vive a humanidade.
Momento que trará conseqüências que ainda não podem sequer ser medidas, mas que podem ser, pelo menos, presumidas.
O economista Guido Mântega avaliou ontem que o terrorismo contra os Estados Unidos acontece num cenário muito desfavorável para a economia mundial.
Este episódio agravante é um quadro de desaquecimento nas principais economias do mundo, avaliou o professor da Fundação Getúlio Vargas e membro do grupo de economia do instituto cidadania.
O professor ressaltou que a desaceleração da economia Norte Americana já estava ficando mais nítida com o índice de desemprego de 5%, e que o terrorismo veio jogar lenha nesta preocupante fogueira.
Num quadro como este, esta Casa, ao longo de toda essa semana, quero lamentar que não esteve a altura para debater, porque foram poucos os Parlamentares que trouxeram para o debate o significado disto que está colocado para o mundo.
Quero lamentar ainda de forma mais contundente, Deputado Ronaldo Benedet, a posição do Líder do Governo nesta Assembléia Legislativa, Deputado Joares Ponticelli, que, infelizmente, não está aqui, porque gostaria de estar podendo falar olhando no seu olho, de que numa situação, no dia seguinte a um dos maiores atentados terroristas que abala todo mundo, ao invés de trazer a palavra do Governo, a posição do Governo de Santa Catarina sobre esta situação, não.
Na sua pequenez política trouxe recortes de jornais. Todos os jornais do País inteiro traziam na capa, praticamente na sua edição inteira, a reflexão sobre a questão colocada para o mundo, mas ele foi escarafunchar matérias da Zero Hora para trazer para esta tribuna, durante vinte minutos, Deputado Ronaldo Benedet, as comparações, as críticas e as elocubrações mesquinhas a respeito das questões relacionadas ao Governo do Rio Grande do Sul, do nosso Companheiro Olívio Dutra, e da Prefeitura de Porto Alegre.
Acho que o comportamento do Deputado Joares Ponticelli, neste momento, é um demonstrativo inequívoco da pequenez, da pouca estatura de quem está aqui com a tarefa de liderar o Governo.
Não tem problema debater as comparações, não nos recusamos! Até porque começaram no programa estadual do PT, na segunda-feira à noite, o que deve ter deixado o Governador muito indignado porque os números, os dados e os fatos são contundentes. E, na sua indignação, deve ter dado a tarefa para o Líder do Governo fazer o rebate.
Portanto, estou entendendo que o Deputado Joares Ponticelli estava cumprindo a tarefa determinada pelo Governador de vir à tribuna trazer um assunto tão fora do contexto, infelizmente, tão fora da conjuntura e da gravidade do momento que estamos vivendo.
Cumpriu a tarefa. Provavelmente, o Palácio deveria estar monitorando para saber se o Líder do Governo iria cumpri-la e dar, realmente, algum tipo de resposta para o que apareceu no programa estadual do PT.
Mas não posso deixar de lamentar! Como não posso deixar de lamentar o esvaziamento da Casa, do debate, o rebaixamento do nível político da Assembléia Legislativa e de não termos, neste momento, Parlamentares que estejam preocupados em analisar, contribuir, dar sua opinião sobre este momento.
Em termos de Governo de Estado isto está claro, pois é um Governo que não desceu do palanque, não desceu! Acabamos de saber notícias gravíssimas, Deputado Nilson Gonçalves, de seqüestro em Joinville, da crise generalizada, da insegurança que está colocada no nosso Estado. Mas o Líder do Governo está preocupado em comparar o Governo do Rio Grande do Sul com o Governo de Santa Catarina.
Este palanque permanente. Terminou a campanha e não desceu do palanque. Faz, inclusive, palanque itinerante. Aliás, Deputado Ronaldo Benedet, este palanque itinerante tem conseqüências na base interna, porque é um palanque itinerante tão personalista, que já sentimos que os Deputados governistas o acompanham, mas no ato, na atividade, não são sequer lembrados ou chamados à mesa.
Temos até situações concretas, ou seja, Parlamentares da base governista, cujo processo do palanque itinerante do Governador pelo Estado, não teve sequer a gentileza de registrar ou de valorizar a presença de Parlamentares do próprio Partido. Tem inclusive um Parlamentar que era assíduo, não é Deputado Ronaldo Benedet, que era o maior guardião da defesa do Governador e sumiu!
Quase não temos mais ouvido, o que nos ajuda muito porque, obviamente, o tom de voz sempre causava muitas agressões auditivas. Mas não tenho visto mais. E parece que a informação, Deputado Ronaldo Benedet, é que, no palanque itinerante da região do Deputado, não foi devidamente valorizado.
Mas, termino minha participação nesta sessão, voltando a reafirmar que tenho a lamentar, numa semana de situações políticas tão graves como esta dos Estados Unidos, como a da morte do Prefeito de uma das maiores cidades do nosso País, Campinas que, cada vez mais se configura como tendo sido realmente um atentado. Todas as pistas, todas as suspeitas levam a crer que o nosso Companheiro Toninho tenha sido brutalmente assassinado, em reação à política adotada na Prefeitura de Campinas, de confrontar os interesses imobiliários, de empreiteiras, de pessoas e de empresas, há muito tempo enraizados e que, há muito tempo lucravam e se beneficiavam do dinheiro público naquele Município.
Uma semana em que está sendo apreciado o relatório que vai abrir o processo contra o Senador Jader Barbalho. Uma semana, portanto, que não teria ausência de fatos políticos relevantes, importantes para serem debatidos em termos internacionais, nacionais e também estaduais, como me referi, à gravíssima situação de segurança pública que estamos vivendo em toda Santa Catarina e que, cotidianamente, ficamos assustados dado o crescimento da violência e no aprimoramento, já que podemos dizer assim, Deputado Ronaldo Benedet, no aperfeiçoamento da crueldade. Porque no caso de Joinville, os familiares foram feitos reféns para que os empregados da empresa pudessem pegar o dinheiro. Portanto, estavam se utilizando de crianças, de mulheres.
Então, gostaria de, mais uma vez, lamentar. Infelizmente, não pude dar o recado à altura, na hora, para o Deputado Joares Ponticelli. Faço hoje da tribuna e, infelizmente, sem a presença dele. Mas não tem problema porque, terça-feira, se for preciso, voltarei ao assunto.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)