68ª Sessão Ordinária - 18/09/2001
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, venho à tribuna nesta tarde de terça-feira, na primeira sessão ordinária da semana, com muita satisfação, fazer alguns importantes registros.
Em primeiro lugar, quero que fique registrada a presença nas galerias do Vereador Glademir Trentini, da minha terra natal, que está visitando a Capital em busca de soluções para alguns dos problemas do nosso querido Município de Taió.
Recebemos também a grata visita de um número importante de lideranças do Município de Taió, comandadas pelo ex-Vereador Tomás Berto, parceiro que tive quando o povo me deu o privilégio de administrar aquela cidade.
Ainda está presente um ex-Prefeito do alto vale, Agrolândia, onde há um povo que, através do trabalho, busca a solução para os problemas daquela região. Nosso querido Heinz Pisk. O acompanha empresário taioense, um jovem agricultor, que busca, através da agregação de valor, aumentar a renda na propriedade rural.
Também está presente o Dr. Sérgio, médico veterinário que tem prestado importantes serviços na agricultura.
Temos exemplo da participação comunitária, característica do povo de Santa Catarina e do Alto Vale, o qual sabe situar, colaborar e ser parceiro. Este exemplo se personifica em dois ex-Vereadores do Município de Rio do Sul, nossos queridos amigos Werner e Schneider, ambos da diretoria do Hospital Samaria, onde estão desenvolvendo um trabalho participativo sem remuneração, contribuindo para continuar prestando melhor serviço à sociedade.
São pessoas como estas que temos o dever de representar. Ser um dos Parlamentares de Santa Catarina é orgulho para este Deputado. Ser Parlamentar de uma região como Alto Vale, por certo é um orgulho redobrado, porque representamos uma região que se destaca pela qualidade do trabalho. Acima de tudo, o Alto Vale se destaca por sua cultura e vocação.
No Oeste existe a indústria de carne, no Sul a indústria do minério, no Norte a indústria mecânica, na nossa região a do turismo e têxtil, no Planalto a produção do alho, da maçã e da madeira e, no Alto Vale, sobressai a pequena propriedade rural.
Nesta propriedade rural, em que não há mais de 10 hectares de terra produzida, nossa gente tira o sustento para a sua família e a riqueza que ajuda contribuir com Santa Catarina. São 28 Municípios que se destacam na produção rural. Tanto que somos o maior produtor de arroz por hectare do mundo; o maior produtor de cebola em quantidade e qualidade.
Temos a melhor qualidade na fumicultura do Brasil e temos um plantel de vacas de leite. A bacia leiteira está assumindo um destaque significativo. Temos, também, uma atuação diversificada. Temos a maior piscicultura daquela região e registramos 25 toneladas de tilápias por hectare de lagoa. Isso mostra o potencial, a capacidade, a qualidade da nossa gente.
Mas é preciso deixar registrado nos Anais desta Casa que encontramos dificuldades para que o Poder Público possa ser o verdadeiro parceiro deste desenvolvimento.
Ainda hoje o agricultor trabalha de forma primitiva. Temos 500 anos de Brasil e não conseguimos, sequer, oferecer a condição de escoamento do produto do agricultor na maioria as regiões. A maior necessidade do agricultor começa pela estrada.
O segundo maior problema do agricultor é a recuperação do solo. Fazer chegar até a propriedade rural uma carga de calcário para a recuperação do solo tem custo elevado. A maioria dos agricultores não estão corrigindo o solo como deviam, por falta de um incentivo ainda maior. A pequena propriedade tem uma rentabilidade também pequena.
Portanto, com a rentabilidade comprometida e sem a agregação de valor, há dificuldade de fazer uma correção de solo como deveria. Além disto há dificuldade de acesso a técnica.
Aí vem o grande problema. Quando um agricultor se sobressai e quer aumentar sua renda agregando valor, começa outro grande problema: tem que se socorrer no mercado financeiro e tentar buscar recursos para a sua propriedade. Somos testemunha que, neste Brasil, o sistema financeiro virou uma casa de negócios e é, de fato, uma casa de negócios. Não quer trabalhar com o pobre e muito menos com o pequeno agricultor.
Nesse país ainda não entenderam que a agricultura teria que ser financiada pelo Tesouro Nacional. O Tesouro tem o dever do social e de financiar a agricultura, principalmente na pequena propriedade.
O que acontece com o sistema financeiro: investe naquele que não precisa. Precisamos estimular, investir no pequeno proprietário, dar-lhe oportunidade de melhorar sua qualidade de vida. Mas ele só pode melhorar a qualidade de vida quando agregar os valores ao produto. Foi debate nesta Casa e motivo de audiência pública a situação do produtor de leite.
Sabemos a importância da produção de leite para Santa Catarina, para a economia e para a sociedade. Hoje vemos o agricultor afirmar que está vendendo leite a R$0,21.
Todos sabemos que isso não paga o custo da produção, justo quando poderia melhorar de vida agregando valor ao seu produto, porque o mercado consumidor está pagando por ele R$1,20.
Esta é a contabilidade, a conta, a dificuldade que temos de entender que, no setor produtivo, o custo é de apenas R$0,20. Na indústria se transforma milagrosamente, chegando ao custo de R$1,20 para o consumidor.
Esta a disparidade, a dificuldade. Temos que encontrar forma de afastar o atravessador, para que o agricultor possa agregar valores para que esta renda fique dentro da propriedade dele, dentro daquele Município onde gera esta matéria prima e que, acima de tudo, seja o lugar onde possa criar oportunidade de emprego para sua família.
Então, esta é a alternativa, a solução. Homens trabalhadores temos. Terra boa tem. Capacidade de produzir, temos. Só falta recurso e técnica para agregar valor ao produto.
Isto se faz necessário como alternativa social, porque custa muito mais para Santa Catarina e para o País trazermos um filho de agricultor, e abrir-lhe um emprego, dando condições de sustentar a família, em Blumenau, em Joinville, em Brusque ou em qualquer outra cidade, do que o deixarmos produzindo na sua terra. Lá está sua vocação, o cheiro da terra! Naquilo ele é profissional!
É importante e fundamental que sejam oferecidas alternativas pelo Tesouro Nacional, porque é o único que pode bancar a agricultura. Muitas vezes, nos surpreendemos quando este órgão lastreia títulos para custear a quebradeira do sistema financeiro. Não se tem coragem de lastrear títulos do Tesouro para fomentar a agricultura, principalmente a pequena produção rural e o pequeno produtor.
Aqui nesta Assembléia Legislativa, juntamente com os Deputados Heitor Sché e Rogério Mendonça, desta região, estamos, junto com os 40 Parlamentares, imbuídos da melhor boa-vontade em ajudar a construir uma Santa Catarina cada vez melhor e, acima de tudo, ajudar a oferecer a condição para o cidadão, produtor rural, porque são muitos os que têm compromisso com a área da agricultura, lutamos por esta área...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Francisco de Assis)(Faz soar a campainha) - V.Exa. dispõe de 30 segundos para concluir seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Temos nossa origem na agricultura, nossa família na agricultura e todos temos nos dedicado a buscar uma alternativa melhor para oferecer mais tranqüilidade, aumentar a renda, a produção, para que a família agricultora possa continuar a desenvolver aquilo que bem sabe fazer: trabalhar, produzir, gerar riqueza e trazer felicidade para a população.
A agricultura é o sustento, o esteio e a mola mestra! Muitas pessoas fingem-se de agricultores...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)