Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputada Ideli Salvatti

53ª Sessão Ordinária - 31/05/1999

A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, retornamos de Recife da III Conferência Nacional das Assembléias Legislativas e chegamos aqui, em Santa Catarina, num verdadeiro turbilhão, turbilhão que o Diário Catarinense resolveu denominar como a "semana inesquecível de Amin". Eu acho que o Governador vai ter realmente um pouco de dificuldade de esquecer esta semana que passou, e nós também.

Hoje, pela manhã, na reunião convocada pelo Presidente da Comissão de Saúde, Deputado Volnei Morastoni, para tratar da emergência do Ipesc, eu fiz uma pequena avaliação que denominei de política do bode. E V.Exas. conhecem a história do bode mal cheiroso e aquela coisa toda, porque nós temos vivido isto aqui em Santa Catarina.

Então, farei uma retrospectiva do que foram esses últimos meses, esses cinco meses de Governo. E tenho uma listinha, aqui, pequena.

Esse Governo começou com decretos, anulando uma série de atos governamentais, inclusive uma briga histórica de quatro anos sobre a questão do vale- alimentação. Depois mandou para a Assembléia Legislativa aquela famosa emenda do congelamento dos salários. Agora, estamos com a polêmica do Besc, que aconteceu porque o Governador pediu auditoria, pois se não tivesse pedido, talvez a crise do Besc não estivesse nesse pé.

Em seguida, entrou com a questão da Ford. Deu confusão lá no Rio Grande do Sul, e Santa Catarina entrou na era Ford. Vamos arranjar dinheiro para dar à Ford, "coitadinha", que fatura pouco em nível nacional. Entrou com a federalização da dívida do Ipesc - dívida que não está sequer contabilizada, mas já tem perspectiva de federalização - e depois veio a questão das Letras.

Mas nada disso foi resolvido: nem congelamento, nem Besc, nem Ford, nem federalização e nem Letras. Entrou o consórcio da miséria, dos 40 meses, e agora não contente com isso, entrou com a história do decreto para suspender todo o atendimento médico ambulatorial e hospitalar do Ipesc.

A sensação que temos é de que esta é a política do bode mesmo, pois não resolve nenhum problema e fica toda semana criando mais dois ou três para que fiquemos que nem barata tonta, tentando apagar incêndio em tudo que é canto, tentando dar resposta, agir politicamente para que os interesses do Estado, da maioria da população, do funcionalismo público, não sejam eliminados pura e simplesmente.

Então, essa é uma política muito eficiente, porque nos inviabiliza. De hoje até quarta-feira, vamos ter nada mais, nada menos do que as questões do Besc, das Letras, do Ipesc e dos atrasados. Quatro assuntos para três dias, todos eles complexos, todos eles de difícil solução e de atuação.

No caso do Besc, eu estou indignada porque quantas vezes nó fomos, Deputado Herneus de Nadal, enquanto fazendo parte da Comissão Especial, à sede do Besc para exigir os números, a transparência do que estava acontecendo?

Acionamos o Fórum Parlamentar no início da semana para que os Parlamentares Federais acompanhassem o Governador na questão do Banco Central. Ele convidou alguém? Levou alguém? Não, ele foi sozinho! Aí, como levou chumbo grosso, ele nos quer, e lá vamos nós conversar sobre o Besc com o Governador, porque a coisa está feia. Agora engrossou o caldo de vez!

Então, sobre essa política do bode que está institucionalizada é que nós vamos ter que ter uma ação política, porque não dá mais para admitir que situações sejam criadas para, principalmente, desviar a atenção das coisas. Quando ele não consegue mais resolver, cria outro foco, até fazer com que nós fiquemos todos de goela esgotada, todos "esgualepados", como costuma dizer o povo do Oeste, sem encontrar soluções.

Hoje pela manhã (e eu não tinha lido ainda a reportagem da "semana inesquecível") li que o Governador Esperidião Amin está dormindo só duas, três horas por noite. A Prefeita Ângela Amin está com muita "dozinha" dele e a recomendação de vários servidores e sindicalistas é que, de repente, um bom remédio para o Governador seria uma semana ou duas, pelo SUS, na Colônia Sant’Ana, porque esse decreto cortando a assistência médico-hospitalar é realmente algo de louco!

Muito obrigada!

(SEM REVISÃO DA ORADORA)