Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Francisco de Assis

87ª Sessão Ordinária - 31/08/1999

O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente, Srs. Deputados, funcionários desta Casa e pessoas que nos honram com sua visita nesta tarde, estivemos em Brasília participando da Marcha dos 100 Mil e vimos uma grandiosa manifestação, ordeira, de um povo trabalhador que sabe o que quer, de um povo que tem rumo, sim, e que aponta saídas para este País, e de líderes dos Partidos de Oposição que não concordam com este Governo que aí está.

Foi uma manifestação, Sr. Presidente - e V.Exa. também participou -, que emocionou quem estava presente e que, com certeza, contou com a presença de muito mais de 100 mil pessoas em Brasília, numa demonstração de descontentamento à política neoliberal do Fernando Henrique e a todos os Partidos que o apóiam, sem exceção, porque a essa política implantada neste País os Partidos que dão sustentação a esse Governo têm responsabilidade e têm culpa.

A revista Veja desta semana dedicou dez páginas a esse grande fato que aconteceu em nosso País. E a matéria começa com a seguinte manchete: "O celular diz tudo", mostrando a foto de algumas pessoas, entre elas o nosso companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, que está com o celular na cinta, e a seguir discorre sobre o telefone celular que o Lula estava usando durante o comício.

Ora, o Partido dos Trabalhadores, desde que nasceu, tem lutado muito para que o povo brasileiro tenha o mínimo de respeito, tenha a condição de sobreviver e de viver dignamente, tendo a sua casa, tendo comida na mesa, enfim, tendo aquilo a que apenas alguns poderosos têm direito. O Partido dos Trabalhadores defende que a população brasileira também tenha esse direito - melhor salário, melhor qualidade de vida na educação, na saúde, enfim, que tenha acesso à vida com dignidade.

Hoje, ter um telefone celular não é mais privilégio de alguns poucos, e não o é também em função da privatização do sistema Telebrás, que é o que a revista tenta colocar. Estão desmascarando e não querendo colocar para a sociedade o verdadeiro ato, o ato grandioso que as Esquerdas tiveram a competência e a coragem de fazer, mostrando o desagravo e o descontentamento a essa política neoliberal.

Essa revista, que vem defendendo essa política e o Sr. Fernando Henrique há muito tempo, para distorcer a opinião pública traz como manchete da matéria que "O celular diz tudo". Um dos trechos dessa matéria, e com a permissão dos Srs. Deputados gostaria de ler, diz o seguinte:

(Passa a ler)

"(...)Talvez fosse esse o caso mesmo de fazer uma CPI do Sistema Telebrás estatizado para saber por que os burocratas deixavam uma linha custar 10.000 dólares e demoravam quatro anos para instalá-la."

Ora, os democratas ou os burocratas a que a revista se refere aqui são os mesmos que sempre estiveram no poder. E os que continuam mandando são os mesmos políticos e os mesmos Partidos que já administraram este País. Se existiam dificuldades, se existia preço alto, as próprias pessoas que lá estão hoje é que dificultavam isso, e no entanto essa mesma revista já as defendia naquela época.

(Continua lendo)

"Mas, como se diz, uma imagem vale mais do que mil palavras. Durante o comício na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ponto alto da Marcha dos 100 mil, os líderes que ocupavam o palanque na frente do Congresso usavam telefones celulares presos ao cinto (...)."

Como se isso fosse um grande fato ou um grande pecado praticado por qualquer brasileiro. Na verdade, queriam com isso desqualificar o ato que houve em Brasília.

Infelizmente, ainda reina soberana a imprensa desse tipo em nosso País e tem o amparo e o apoio das elites deste País, que é quem paga e que muitas vezes custeia as dívidas dessas empresas, como no caso esta revista Veja.

É lamentável, Srs. Deputados, que um ato grandioso como o que aconteceu... E virão com certeza muitos outros pela frente, porque o povo brasileiro não pode calar-se diante da situação de miséria que vive o nosso País, de um Governo que durante a campanha falava para nós, brasileiros, que aquele que havia acabado com a inflação no País acabaria também com o desemprego. E como está o desemprego hoje?

A taxa de desemprego tem aumentado, o combustível aumentou este ano mais de 50% depois que esse senhor assumiu o segundo mandato. É esse o Governo que está colocado. Por isso mesmo, Sr. Presidente, que essa marcha foi apenas o início de tantas outras que virão.

Temos agora, no mês de setembro, o Grito dos Excluídos, temos no mês de outubro a Marcha a Brasília dos trabalhadores sem terra e de outros movimentos, que estão caminhando e que chegarão a Brasília no mês de outubro, já houve recentemente o protesto dos caminhoneiros em Brasília e no País todo trancando as BRs e já houve o protesto dos agricultores de todo o País numa grande mobilização.

Tudo isso foi para demonstrar que o Governo que aí está não agrada ao pobre, não agrada à classe média nem aos ricos, agrada apenas a um setor da população, que é o dos banqueiros. Esses, sim, estão contentes. E o Banco do Estado de Santa Catarina mais uma vez serviu para esse jogo, os catarinenses mais uma vez serviram para colocar o nosso banco na situação em que está, fruto dessa política neoliberal e de acordo com os interesses do FMI.

Então, temos um Governo que até agora não disse para que veio, que não agrada ninguém, e uma revista sujeita-se a prestar esse desserviço à população. Por isso a minha indignação! Esses fatos são de quem não tem mais o que fazer, de quem não quer dar confiança, de quem não quer aceitar o que todo mundo viu, porque quem esteve em Brasília viu o descontentamento, quem foi lá sentiu na pele a força de um povo. Lá estavam homens, mulheres, crianças, aposentados, trabalhadores de todos os cantos deste País manifestando-se de uma forma democrática, livre e soberana e dizendo "não" a essa política neoliberal do Fernando Henrique Cardoso.

Queria deixar isso registrado, Sr. Presidente, para mostrar o nosso descontentamento à atitude dessa revista.

Aproveitando o tempo que nos resta, Srs. Deputados, gostaríamos de dizer às pessoas que aqui estão para assistir a esta sessão e colocar também a sua posição sobre o veto dado pelo Governador ao projeto de lei que nós aprovamos aqui e que cria Varas e Comarcas que a Bancada do Partido dos Trabalhadores é solidária à reivindicação delas e que na hora da votação os Deputados desta Bancada serão contra o veto do Governador.

(Palmas das galerias)

Entendemos que a população carece de um melhor atendimento por parte da Justiça. E se isso não acontecer, os processos que hoje já tramitam e que têm uma posição final demorada continuarão emperrados. Por isso a Bancada do Partido dos Trabalhadores nesta Casa também vai fazer a sua manifestação contrária ao veto do Governador.

Muito obrigado!

(Palmas das galerias)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)