79ª Sessão Ordinária - 17/08/1999
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, como a Semana Estadual Antidrogas e pela Vida foi aberta ontem nesta Casa numa sessão especial, não poderia deixar de ocupar a tribuna nesses quatro minutos para fazer alguns registros importantes.
Estamos desenvolvendo atividades as mais diversas no sentido de conscientizar a nossa população, principalmente alunos, pais e adolescentes, da importância de se ficar longe das drogas.
Quero fazer chegar a cada um dos Deputados um panfleto que contém a carta de um filho para o seu pai e a oração pela paz nas escolas, que é de autoria da 1ª Tenente Edenice Fraga, do Colégio Militar.
A carta de um filho para o pai diz o seguinte:
(Passa a ler)
"’Acho que neste mundo ninguém procurou descrever seu próprio cemitério. Não sei como meu pai vai receber esse relato, mas preciso de todas as forças enquanto é tempo.
Sinto muito, meu pai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito mesmo...
Sabe, pai, está em tempo do senhor saber a verdade de que nunca desconfiou. Vou ser breve e claro, bastante objetivo. A droga me matou. Travei conhecimento com o meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo, e bem falante, que me apresentou ao meu futuro assassino: a droga.
Eu tentei recusar, tentei mesmo, mas o cidadão mexeu com o meu brio, dizendo que eu não era homem. Não preciso dizer mais nada, não é, pai? Ingressei no mundo do vício. No começo foi o devaneio; depois a tortura, a escuridão.
Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar, o medo, as alucinações. E logo após a euforia do pico, novamente eu me sentia mais gente do que as outras pessoas, e o tóxico, meu amigo inseparável, sorria, sorria.
Sabe meu pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo e muito engraçado. Até Deus eu achava cômico. Hoje, no leito de um hospital, reconheço que Deus é mais importante do que tudo no mundo. E que sem a Sua ajuda eu não estaria escrevendo essa carta.
Pai, eu só estou com 19 anos, e sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim. Mas ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre essa carta a todos os jovens que o senhor conhece. Diga-lhes que em cada porta de escola, em cada cursinho de faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido e bem falante que irá mostrar-lhes o futuro assassino e destruidor de suas vidas e que os levará à loucura e à morte, como aconteceu comigo.
Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles.
Perdoe-me, pai... já sofri demais, perdoe-me também por fazê-lo padecer pelas minhas loucuras.
Adeus, meu pai.’
E algum tempo depois, após escrever esta carta, o jovem morreu."
Este é o triste relato de um jovem que se envolveu com as drogas...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)