Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

15ª Sessão Ordinária - 12/03/2009

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Deputado Padre Pedro Baldissera, igual ao nosso deputado Sargento Amauri Soares, que fez aquela plaquinha da Lei n. 254, vamos fazer uma dizendo: "Os juros têm que baixar mais. PT, saudações e Dilma, saudações".

Mas estou fazendo essa intervenção, porque é importante ressaltar um artigo da revista britânica de economia, um dos principais documentos da economia inglesa, a The Economist, que diz o seguinte, deputado Padre Pedro Baldissera e deputado Adherbal Deba Cabral, v.exa. que tem estado sempre presente aqui:

(Passa ler.)

"Matéria da revista inglesa The Economist publicada na semana passada reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais. No texto, a publicação afirma que até pouco tempo no Brasil, acreditava-se que um dos fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro."

Aliás, isso se dizia no mundo inteiro: dê ao mercado a liberdade que eles resolvem tudo.

(Continua lendo.)

"Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao país uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma 'situação favorável incomum ao Brasil'.

A matéria se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.

Outros países estão tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz, inclusive quando não era 'moda'. Nos bancos privados, as exigências de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi 'mordiscado', mas não 'triturado', destacou o texto.

A matéria também sustenta que, na comparação com seu passado recente e na comparação com outros países, a economia do Brasil está em boa forma. 'O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca a cada estresse de outras economias, isso é impressionante", diz o texto.

"O texto aponta ainda que as razões para a melhoria do crescimento do país estão fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores. 'Os empréstimos em moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em reais.

Além disso, o país acumulou US$ 200 milhões em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo um custo mais barato para a dívida pública. É a primeira vez que o Brasil adota uma política monetária anticíclica', afirma o texto."

Deputado Antônio Aguiar, nós podemos ver que o Brasil está fazendo escola. Esta importante revista de economia britânica, deputado Padre Pedro Baldissera, mostra que não apenas estamos fazendo a lição de casa, mas aquilo que combatíamos em relação à privatização e que nesta Casa debatíamos inúmeras vezes.

Deputado Padre Pedro Baldissera, já imaginou se uma empresa como a Vale do Rio Doce hoje pertencesse ao povo brasileiro e fizesse um processo de alavancagem da política industrial, o quanto este país não seria diferente? No entanto, uma empresa como aquela foi dada gratuitamente, entregue e financiada pelos bancos públicos.

Esta é a diferença do Brasil do Lula e da Dilma Rousseff, do Brasil do passado que vendia tudo, entregava as calças e, às vezes, nem entregava, vendia sem entregar porque não tinha crédito, era caloteiro, inclusive.

Srs. deputados, hoje quando vemos isso nos entusiasmamos. Sabemos que a crise está afetando o Brasil, sim, porém estamos conduzindo. E quando o autor do artigo diz que o Banco Central está adotando políticas anticíclicas, o juro tem que baixar mais ainda, deputado Padre Pedro Baldissera.

O Sr. Deputado Padre Pedro Baldissera - V.Exa. nos concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Padre Pedro Baldissera - Quero dizer que no centro da crise que nós vivemos em nível mundial, está exatamente o modelo neoliberal, capitalista, concentrador, excludente, que tem historicamente desgraçado a vida de milhões e milhões de pessoas. Esse sistema, esse modelo, é que está falido. Aliás, inicia a sua falência exatamente na sua origem: Estados Unidos e Europa.

Como v.exa. tem ressaltado, o presidente Lula fez a lição de casa. Se nós olharmos para um passado recente nós tínhamos a idéia de fazer o quê? O bolo crescer para você distribuir depois. Lula faz diferente, distribui a renda através das diferentes políticas públicas para melhorar a qualidade de vida do povo. Então, inverte exatamente a forma e a maneira de fazer a política pública.

Neste sentido, quero parabenizar v.exa. pelo tema que traz a este plenário neste momento de debate e reconhecer que o país sob o comando do trabalhador presidente Lula está no caminho certo. Tem mudado e transformado significativamente a vida de muitas pessoas, diminuindo o número daqueles que mais ganham, que mais tem a renda concentrada daqueles que menos ganham e que menos oportunidade tiveram.

Parabéns! Obrigado pela oportunidade!

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Nobre deputado, suas intervenções sempre contribuem muito com o debate, não só por ser um companheiro do partido do PT, mas pela percepção social que tem deste processo quando relativisa o debate. Ao mesmo tempo, deputado Padre Pedro Baldissera, o PSDB vem recomendar que o nosso governo faça um gabinete anticrise, como Serra recomendou para a ministra Dilma Rousseff.

A crise, como diz a ministra Dilma, tem que ser combatida por toda a nação brasileira, ela tem que ser visualizada por todo o governo e toda equipe. O médico quando analisa o paciente não olha apenas uma doença. Um bom profissional tem que examinar o corpo do cidadão como um todo. Não adianta querer olhar apenas uma ferida.

O nosso governo tem olhado bem isso. Como diz a ministra Dilma, não precisa fazer o gabinete de combate ao apagão, como fizeram no governo passado. Até mesmo como eu disse nesta Casa, a Dilma, a mãe do PAC, tem dado a luz pelo Brasil inteiro sempre com boas novidades, com ações e com obras mostrando a cara do Brasil governado por um trabalhador metalúrgico.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)