Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Manoel Mota

32ª Sessão Ordinária - 07/05/2008

O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sra. presidente, sras. deputadas, srs. deputados e visitantes que prestigiam o Parlamento nesta tarde, venho a esta tribuna para fazer alguns registros que entendo serem importantes para a região sul do meu estado.

A minha região vem sofrendo por alguns fatos, algumas interrogações que a ciência ainda não tem resposta. Nós tivemos o furacão Catarina que praticamente devastou aquela região toda. Tivemos, há aproximadamente oito ou dez anos, um tornado em Forquilhinhas que se repetiu por duas vezes em Criciúma. Recentemente, foi na região de Tubarão, e agora houve esse fenômeno dessa chuva que praticamente deixou toda a região desequilibrada, que foi o ciclone extratropical.

Nós recebemos na sexta-feira à tarde, no sábado e no domingo até o meio-dia uma quantidade de chuva que estava prevista para os próximos seis meses e que equilibraria o clima naquela região. Mas em apenas dois dias e meio choveu aquilo tudo, atingindo 33 municípios do sul de Santa Catarina e 15 da minha região.

Quero aqui reconhecer e agradecer o governador do estado, Luiz Henrique da Silveira, que imediatamente encaminhou para lá um helicóptero da Polícia Militar para prestar os atendimentos à região sul. Agradeço também ao secretário da Segurança Pública, Ronaldo Benedet, que se manteve nessa mesma direção, dando condições de que pudéssemos ter esse helicóptero para prestar todo atendimento necessário. Em muitos lugares a chuva carregou pontes. E havia localidades totalmente isoladas sem alimentação e luz. E sem energia todos podem imaginar a dificuldade! Quer dizer, levaram vela, alimentação; hoje estarão chegando lá cestas básicas para serem distribuídas por toda aquela região e atender o pessoal mais carente que perdeu tudo. Então, essa é a situação dramática que nós vivemos na região sul do estado.

Não é qualquer enchente que interdita a BR-101. Mas até agora ela ainda está com água em cima da pista e interditada há praticamente quatro dias. Não há como avaliar o tamanho da fila de caminhões que se formou. Perdemos até o critério para avaliar o tamanho dela. Os postos de gasolina estão lotados de caminhões, há muita fila na estrada, causando um prejuízo, acredito, de mais de US$ 2 bilhões só no transporte.

Por isso, tenho aqui que reconhecer o papel fundamental da duplicação que veio através do governo Luiz Inácio Lula da Silva, naquela região que sofre muito. Só no meu governo, quando fui prefeito, tivemos a BR-101 quatro vezes interdita. Então, Maracajá a Araranguá será o maior viaduto do Brasil, para acabar de vez com toda aquela enchente, com aquele sofrimento, inclusive dos caminhoneiros, porque a população, evidentemente, vai continuar sofrendo. Pelo menos o transporte, os caminhoneiros, não serão penalizados como estão sendo nesse final de semana inteiro na região.

O bairro da Barranca, em Araranguá, foi extremamente atingido. Por quê? Porque tivemos a maior festa religiosa de Araranguá, a festa de Nossa Senhora Mãe dos Homens, cuja procissão, às 16h, continha em torno de 50 mil a 60 mil pessoas. E esse é um bairro da periferia, um bairro ribeirinho, onde as pessoas estavam desprevenidas, como na Costa do Silveira e na Vila São José, assim como em outras pontas, porque a população estava na festa. E o que aconteceu? Quando disseram que a água estava chegando às suas casas, as pessoas ainda levaram de 20 minutos a 30 minutos para chegar, mas aí já tinha um metro e meio de água nas casas.

Então, perderam praticamente tudo, como geladeira, fogão, colchão, guarda-roupas. Não puderam levantar nada. Foi um prejuízo muito grande para aquela população. Em Praia Grande ficaram todos isolados, tivemos que levar até alimentação, assim como também foram atingidos os municípios de Turvo, Meleiro, Maracajá, Balneário Arroio do Silva, Santa Rosa, Passo de Torres, porque Praia Grande cai todo em Passo de Torres, enfim, foram 15 municípios atingidos. Aquela região toda foi atingida.

Então, tenho que reconhecer o papel fundamental do governo do estado, do secretário da Segurança Pública, que colocou a Defesa Civil do estado à disposição, coordenando, trabalhando, ajudando. E queremos agradecer também à secretaria da Saúde do estado de Santa Catarina, pois foi para lá, com o pessoal da vigilância sanitária, ajudar os municípios a compor seus quadros, pois existia a preocupação com a questão da dengue, devido o alagamento da região. Ali fica um criadouro de mosquito com esse sol quente. Mas a secretaria de estado da Saúde já tomou todas as providências.

Quero aqui agradecer também o comandante-geral da Polícia Militar, que deixou uma aeronave inteiramente à nossa disposição desde o dia da enchente até ontem, quando as coisas já estavam mais amenizadas, e autorizou que enquanto estivéssemos com problemas ficariam lá para ajudar a levar alimentos para aquela região que ainda estava totalmente isolada.

Assim, quero aqui fazer esses registros, pois agora a água baixa, mas o prejuízo fica com os prefeitos municipais. E nós temos que chamar a atenção de que é preciso que a Defesa Civil, não só do estado, mas federal, tem que ser mais ágil, pois quando os recursos chegam os prefeitos não têm mais como prestar contas. E essa é uma preocupação muito grande.

Mas quero aqui, em nome do capitão Edir de Souza, gerente de prevenção da Defesa Civil de Florianópolis e do comandante Márcio, que cuida das ações do Corpo de Bombeiros, agradecer em seus nomes a todos os bombeiros, militares, civis, aviadores e os pilotos que lá estavam. E quero fazer o meu agradecimento em nome da população não só do vale do Araranguá, mas do sul de Santa Catarina, porque foram peça fundamental, foram brilhantes no atendimento, na ação de emergência que nós sofremos na região do sul do estado.

Anteontem, às 17h, o governador foi lá rapidamente para receber o relatório, para saber como estava a situação. E ele tem me ligado todos os dias colocando-se à disposição para qualquer problema. Assim, tivemos a preocupação de atender todos os municípios, de todos os partidos, porque esse é o compromisso do governo.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)