91ª Sessão Ordinária - 21/10/2010
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Nosso bom-dia a todos os companheiros, aos telespectadores da TVAL e aos ouvintes da Rádio Alesc Digital.
Ontem o povo brasileiro assistiu nos canais de televisão a uma "manifestação", entre aspas, deputado Sargento Amauri Soares, no Rio de Janeiro, com relação ao candidato José à Presidência da República, adversário da nossa também candidata, ex-ministra Dilma Rousseff.
Ocorre, srs. deputados, que os meios de comunicação não foram muito transparentes na forma de colocar as coisas. Em primeiro lugar porque a manifestação começou devido à presença dos chamados matadores de mosquitos, que foram demitidos pelo ministério da Saúde à época em que José Serra era ministro. Aqueles cidadãos faziam o controle do mosquito da dengue no Rio de Janeiro, e quem tem memória neste país vai lembrar que no ano seguinte à demissão dos matadores de mosquito o Brasil enfrentou uma das maiores epidemias de dengue, inclusive havia alguns cartazes referindo-se ao candidato José Serra como "presidengue".
Aqueles manifestantes, os matadores de mosquitos, que levavam cartazes, foram, de certa forma, impedidos pelos seguranças de passar próximo ao candidato à Presidência - era apenas meia dúzia de matadores de mosquitos. Posteriormente, na medida em que começaram a existir os embates, apareceram algumas figuras do PT e ninguém pode dizer que eles foram os responsáveis pelo início do tumulto que ocasionou a confusão.
Mas o mais importante - e peço à assessoria que coloque o vídeo, pois, como médico, gostaria de fazer uma observação - é que o médico que atendeu ao candidato Serra deve dar um prejuízo para o SUS inestimável, porque se cada bolinha de papel que bater na cabeça de alguém ele fizer uma tomografia computadorizada, este Brasil vai gastar muito. Aliás, esse médico deve ser demitido da rede pública porque não se justifica colocar um paciente para fazer uma tomografia sem exame adequado.
A rede de televisão SBT conseguiu mostrar bem a hora em que bateu a bolinha na cabeça do candidato. Peço para que a assessoria proceda à exibição do vídeo.
(Procede-se à exibição do vídeo.)
O objeto é do tamanho de uma bolinha de pingue-pongue e podemos observar que na hora em que ela bateu na cabeça do candidato ele estava com as mãos elevadas e assim permaneceu. Ora, qualquer cidadão em sã consciência e reflexo da dor, independentemente da sua vontade, leva a mão a cabeça para verificar o que houve, mas o candidato José Serra continuou com as mãos levantadas, fazendo sinal de paz e amor e caminhando. Após 20 minutos entra em um carro, sai e volta com dor colocando a mão na cabeça. Após ter saído do carro e quando recebe uma ligação é que o levam para o médico. O médico, após um grande exame neurológico, deputado Moacir Sopelsa, vendo o risco e a gravidade da lesão, submeteu o candidato a uma tomografia computadorizada.
Ora, isso é uma verdadeira piada! Em primeiro lugar, pelo procedimento profissional, porque assisti à entrevista do médico, que disse existir apenas uma manchinha vermelha. Em segundo lugar, porque só se submete um paciente a uma tomografia computadorizada quando há indício clínico de investigação, de traumatismo craniano ou algo mais sério.
Então, essa farsa construída em cima da eleição mostra, mais uma vez, deputado Moacir Sopelsa, a forma como as coisas estão-se encaminhando. Não se informou sobre os milhares de trabalhadores demitidos quando o candidato Serra era ministro da Saúde, trabalhadores que controlavam a dengue, fato que acabou causando uma das maiores epidemias deste Brasil.
Eu, de qualquer maneira, sou contra qualquer manifestação de violência, mas também sou contra farsa, porque, como disse Leonardo Boff, "a esperança venceu o medo e com Lula a verdade vai vencer a mentira".
Mas à noite, a comemoração do aniversário do candidato a vice de Serra, deputado Índio da Costa, que nem nos convidou, deputado Silvio Dreveck, no Rio de Janeiro, foi transformada num ato político contra a violência do PT.
Então, o que estamos vendo são situações sendo criadas nesse período eleitoral. Ao mesmo tempo, também há o episódio da quebra do sigilo fiscal, do qual tanto se fala, do vice-presidente do PSDB, que começou antes do período eleitoral, quando ainda não estavam escolhidos os candidatos à Presidência. Um tal de Amaury, que é lá de Minas Gerais, um repórter que não tem nada a ver com o PT, nunca trabalhou com o PT, nunca foi filiado ao nosso partido, disse que por livre iniciativa e vontade pagou R$ 12 mil para obter cópias ilegais do imposto de renda, através de um cidadão que também não tem nada a ver com o PT. Foi o que mostrou o noticiário de ontem na televisão.
É uma pena que isso esteja acorrendo porque essa eleição poderia ter um nível melhor. Quando se vê o que foi criado em relação às questões religiosas, parece uma eleição fundamentalista, na qual tentaram impingir uma marca irreal na nossa candidata à Presidência. Imprimiram 2,1 milhões de panfletos, numa gráfica do PSDB, em São Paulo, caso que também está sendo apurado pela Polícia Federal.
Então, é o Partido dos Trabalhadores que está desenvolvendo esse tipo de artimanha e artilharia eleitoreira, num momento cívico e de responsabilidade nacional? Logicamente que não!
Mas, como disse bem o ex-frei Leonardo Boff, esta é a eleição em que a esperança vai vencer o medo. E nós estamos vendo que antes, quando as pesquisas nos aproximavam, estava tudo bem, mas saiu a pesquisa da Vox Populi mostrando um distanciamento entre os candidatos e já não vale mais, assim como as pesquisas do Ibope e da CNT/Sensus. Então, sabemos que a verdade vai vencer a mentira e esta eleição será um momento importante para o povo brasileiro.
Por isso, nesta manhã de quinta-feira, neste plenário, cabe-nos registrar que, em primeiro lugar, nós, do Partido dos Trabalhadores, sempre fomos contra qualquer tipo de violência; em segundo lugar, que uma bolinha de papel não fere ninguém; e, em terceiro lugar, que está na hora de acabar com o teatro.
Assim, no dia 31 de outubro o povo vai acabar com o teatro neste Brasil, tomando uma posição definitiva pela verdade neste país.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)