42ª Sessão Ordinária - 04/06/2003
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Senhor Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, gostaríamos de relatar a viagem que fizemos com o Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, aos países da Rússia, França e Eslováquia.
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"Há um esforço nacional na busca de novos mercados e na ampliação dos já existentes. O Presidente Lula, em recente reunião com pesos pesados da indústria nacional, enfatizou essa prioridade.
Há uma consciência nos administradores públicos e privados de que o País tem que fazer um grande esforço nessa direção, considerando-se um mercado internacional extremamente competitivo, a fim de superar barreiras, absorvendo e desenvolvendo tecnologias, agregando-as ao seu parque produtivo, e com isso alavancando o mercado externo e obtendo-se, assim, os dólares tão necessários ao fortalecimento da economia, ao investimento nos setores produtivos, à geração de empregos, etc.
O Governador Luiz Henrique da Silveira programou essa viagem à Rússia e a outros países, como a França e Eslováquia, de cuja comitiva fizemos parte, exatamente com o propósito de buscar esses objetivos. E não há como deixarmos de reconhecer essa evidência.
Como membro deste Parlamento, estivemos presentes aos encontros e discussões que envolveram, inclusive, empresários de Santa Catarina, e que consistiram numa rodada que deverá fortalecer o nosso espírito empresarial já reconhecido, impulsionando-o na abertura dessas oportunidades.
É verdade que o mais significativo móvel dessa viagem de negócios dirigiu-se à solução do contencioso que vinha obstando nossas exportações de carnes, sobretudo a suína, cuja abordagem chegou a um final feliz, restaurando-se esses canais, superando-se obstáculos, restabelecendo-se a confiança mútua, de tal sorte que a notícia mais alvissareira residiu no restabelecimento desse frutuoso mercado.
Num tête-à-tête direito, com o ‘olho no olho’, a comitiva catarinense conquistou a empatia da nomenclatura russa, deitando por terra os obstáculos que obliteravam nossos negócios.
As questões sanitárias que atravancavam o comércio foram devidamente enquadradas, e o diálogo franco e aberto instaurou-se com as autoridades daquele país, ensejando-se novos negócios no tocante a carnes de suínos e de aves, como certamente em outros setores industriais.
A coincidência da missão Furlan fortalece-nos, a previsão de negócios entre Brasil e Rússia tenderia a triplicar de volume e valores, tanto que de US$1,7 bilhões saltaria brevemente para US$ 5 bilhões, abrindo-se perspectivas promissoras nas áreas de calçados, cerâmica, roupas, software, para citarmos apenas algumas áreas, com as quais poderemos desenvolver uma parceria extremamente salutar para ambos os países.
A idéia do Governo Lula de aprofundarmos contatos com mercados da Rússia, da Índia, da China e de imediações apontam para um entrelaçamento e troca de conhecimentos, de tecnologia e oferta de produtos, que deverão criar novas vias comerciais para o Brasil, gerando-se, nesse escambo, um maior fortalecimento de nossa economia, com importantes ganhos para o nosso empresariado, e, como não poderá deixar de ser, gerando-se, nesta dinâmica, a criação de muitos empregos.
Estes países aqui citados possuem uma enorme densidade populacional, sendo milhões de pessoas aptas a consumir nossos produtos, de tal sorte que a investida de Lula e de Luiz Henrique chega numa hora bem oportuna. E não temos nenhuma dúvida da consolidação dessas iniciativas, porque fomos testemunhas oculares desses eventos.
Nesta mesma cadência foi a passagem da comitiva pela Eslováquia e França, resultando daí rodadas de negociação com a primeira, já com o resultado positivo da instalação de uma usina termelétrica em Criciúma, com tecnologia eslovaca e com o financiamento de US$550 milhões por bancos norte-americanos; usina essa que deverá produzir 440 megawatts de energia.
Não menos promissora foi a passagem na França, antigo parceiro comercial do Brasil, onde se empreende a possibilidade de um acordo com a Univali/Instituto Paul Bocuse (este a mais tradicional escola de cozinha da França, para não dizermos do planeta), conforme proposta do Deputado Volnei Morastoni, haja vista a existência de uma das raras Faculdades de Gastronomia do País, instalada em Balneário Camboriú, sob a égide dessa Universidade.
É uma conquista, assim como já demonstrou a escola de Balé Bolshoi, de Joinville, que deverá proporcionar novas oportunidades futuras, tais os laços que aí advêm, e que, naquele último caso, poderão abrir mais portas para Santa Catarina.
Essa investida, do Poder Executivo, com a participação do Legislativo e de representação do empresariado catarinense, somente haverá de projetar ainda mais o poder da capacidade de iniciativa do empreendedor barriga-verde, impulsionando nossas potencialidades e reafirmando nosso desempenho que nos promove como a quinta economia do País, ainda que limitados a 1% do território do Brasil.
A criação do Conselho do Comércio Exterior de Santa Catarina desponta como a culminância desta interlocução, considerando-se que assim estabelece-se um foro apropriado, no qual o Governo e a iniciativa privada poderão estudar e propor medidas delimitadoras e gerenciais do processo, que deverão levar nosso Estado a alcançar espaços mais exitosos, o que repercutirá em todos os segmentos de nossa sociedade.
A nossa sugestão é de que, seguindo-se os passos de Lula, o Governador procure, através do Sr. Secretário de Articulação Internacional, fomentar uma aproximação com os demais mercados já aqui mencionados, China e Índia, pois com os quais, somados ao da Rússia, teremos então a nossa disposição essa vasta massa humana consumidora, que irá desabrochar possibilidades até aqui não imaginadas.
Diga-se de passagem que os Governos anteriores praticamente ignoraram ou, quando muito, fizeram movimentos lerdos e inexpressivos nessa direção, de modo que essa ocasião presta-se para refletirmos e ponderarmos seriamente essa experiência nova, que se pronuncia como de largo alcance para a economia catarinense.
É de se atentar que 500 anos atrás os portugueses tiveram a singular premonição de enxergar o futuro com a rara visão comercial. E, corajosamente, com suas caravelas desajeitadas, pesadas e primitivas, arrostaram o oceano tenebroso, o mar bravio, repleto de lendas assustadoras, e desbravaram o caminho das Índias, chegaram às Molucas e ao Japão. E nós, o que fizemos nestes últimos 100 anos de República? E agora, nestas derradeiras décadas? Dormimos no ponto!
Esses formidáveis mercados devem ser reabertos, devemos enveredar com a ousadia e a determinação no rumo das especiarias, como o fizeram Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, que representam, nesses tempos contemporâneos, um ‘Abre-te Sézamo’ comercial e constituem a visão do gênio de Aladim abrindo todo o Oriente fulgurante, a visão de tamanhas riquezas a nossos pés.
Fazemos nossas as palavras escritas pelo jornalista Moacir Pereira, quando diz: ‘Quem não atenta para a agilidade da nova economia global, vai perder o trem da história’.
Tenho dito!
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)