34ª Sessão Ordinária - 11/05/2006
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente, sra. deputada e srs. deputados, ocupo a tribuna no dia de hoje para, mais uma vez, falar de um assunto sobre o qual eu já me pronunciei aqui por diversas vezes.
(Passa a ler)
"Não há só um gaúcho.
Existem vários.
Desde os contrafortes dos Andes, a se desdobrar sobre a imensa Patagônia gelada, ao pampa fértil onde pastava a bagualada xucra, às várzeas lamacentas, feias e tristes de Entre-Rios, ao Chaco missioneiro... Há gaúchos de Rio Grande, preados nas estâncias; há o lageano mateiro a abrir as picadas a facão para as Minas Gerais do ouro. Há o gaúcho de Corrientes e o de Buenos Aires. O irregular de Urquiza e soldado de Rosas. Há o gaúcho de Bento Manoel e o da bota floreada do terratenente. O de Saraiva e o de Artigas. O peão de estância e o tigreiro. O provisório de Vargas e o descamisado de Perón.
Sequer se conhece a origem da palavra ‘gaúcho’. Vem do conto triste do grilo - o ‘guahú’ dos guaranis, com apodo ‘tchê’ - gente geral? Vem do basco ‘guache’ - lado esquerdo do corpo? Ou do terneiro sem mãe, desmamado - o ‘guaxo’? Ou virá de alguma corruptela quíchua que descendeu dos Andes?
Só se sabe que o gaúcho simboliza a civilização do couro. Desgarronava o bovino alçado, mas não comia toda a carne, que apodrecia nas coxilhas à falta de sal. Retirava-lhe apenas o couro e o sebo dos rins.[...][sic]"
Srs. deputados, fizemos essa referência para dizer que todos nós somos gaúchos, todos os catarinenses têm na sua origem um pouco do gaúcho. Temos o gaúcho de Santa Catarina, o gaúcho do Rio Grande, gaúchos de diversos países.
Segundo o conhecimento da história, a palavra gaúcho se originou daqueles homens que vinham dos Andes, passavam pelos pampas gaúchos e pelas serras catarinenses, laçavam e matavam o boi e aproveitavam depois o seu couro. E ali deixaram esse ensinamento ao povo de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, do Paraná, de São Paulo, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai. Assim, essas pessoas foram denominadas gaúchas, segundo a história. Então, todos nós somos gaúchos.
Dentro deste pequeno relato da história, nós, hoje, vislumbramos - eu tenho até a coragem de dizer isso - que Santa Catarina já é um estado gaúcho, pela origem e pelo tradicionalismo que o povo adotou. Hoje, em cada cidade, temos os CTGs - Centros de Tradições Gaúchas -, temos pessoas se envolvendo com atividades do gado e do cavalo, com festividades, com o rodeio e os torneios de laço.
Diante desse conceito que temos visto, devemos dizer que, além de retomar a nossa origem e ser uma atividade prazerosa, é a única atividade que reúne esporte, cultura, lazer e tradicionalismo. Também há uma atividade econômica envolvida em todo esse processo.
Sr. presidente, hoje vemos o estado de Santa Catarina ser tomado por essa onda maravilhosa dos rodeios, sendo que cada cidade possui o seu CTG e a sua organização. E isso nos remete a uma reflexão sobre o tradicionalismo, sobre a manutenção dos costumes, ou seja, a bota, a bombacha, o lenço, o chapéu e o laço, laçando bois e realizando aquela atividade que outrora fazia o homem do campo e ainda faz nas periferias das cidades e nas cidades do interior do estado de Santa Catarina, principalmente a partir de Bom Retiro até o oeste catarinense, onde a pecuária ainda é muito forte e a lida do campo, a lida com o gado e com o cavalo é contumaz e fantástica, sob o ponto de vista do atrativo que ela causa nesses eventos, que são os rodeios e os torneios de laço.
Então, dentro do reconhecimento dessa atividade maravilhosa, dia 19 de setembro prestaremos, srs. deputados, aqui nesta Casa, uma grande homenagem ao tradicionalismo catarinense, que será fantástica. Prestigiaremos esta que é a única atividade cultural e social que consegue reunir, num dia, toda a família. No rodeio podemos encontrar desde o tataravô até o tataraneto, até a quarta geração, reunidos, participando de laçadas e de atividades, numa confraternização entre amigos, numa troca de experiências, numa troca de informações.
Quem conhece e convive nesse meio sabe que o tradicionalismo é uma coisa boa, é uma atividade fantástica, é uma atividade maravilhosa até para aqueles que assistem.
Dentro dessa visão - e na serra catarinense, para a maioria, o entendimento é de que o tradicionalismo é uma atividade fantástica -, prestaremos aqui uma homenagem, por exemplo, a um senhor de 90 anos que ainda monta a cavalo e consegue competir com laçadas, que é o sr. José Alves de Sá, o Nenzo de Sá, lá do município de São Joaquim.
O deputado Manoel Mota, que é conhecedor e participante também desse meio e, inclusive, já apresentou um projeto de sua autoria para criar a semana do tradicionalismo, sabe que estou falando a verdade com relação a essa maravilha que é o tradicionalismo.
Então, nesta Casa, no dia 19 de setembro, prestaremos uma homenagem a essas figuras maravilhosas: à mulher que laça, à mulher que tem a vida campeira, e à criança de 5 ou 6 anos que laça e participa de competições com adultos.
Em síntese: o tradicionalismo é algo maravilhoso e nós temos que fazer com que este Parlamento reconheça aquilo que é óbvio, aquilo que é verdadeiro. Eu tenho a coragem de dizer, e repito mais uma vez, que a cultura catarinense, hoje, já é voltada para o tradicionalismo gaúcho. Essa cultura pegou no estado, reúne milhares de pessoas e faz com que elas já sobrevivam desta atividade, que são os eventos do tradicionalismo.
(Continua lendo)
"Srs. deputados, apenas o conhecimento nos torna livres. Não há projeto político, sr. presidente, capaz de afastar o homem da sua origem, da sua cultura e da sua essência. Ninguém consegue mudar aquilo que é verdade.
Existe um ceticismo em relação às tradições culturais ocidentais, diante do comportamento do homem que, no afã de produzir, modernizar e conquistar, acaba por sufocar as manifestações culturais e, por conseguinte, consegue sufocar o homem.
A cultura é, sem sombra de dúvida, a essência do homem, de um povo e da humanidade. A perda da cultura, bem como qualquer ato que venha a agredi-la, implica em um retrocesso da civilização e a uma violação a sua essência.
A perpetuação de costumes, cantos, artesanato, dentre outras tantas expressões culturais, demonstra a história e a identidade do homem, que devem ser sempre preservadas.
É nosso dever, srs. deputados, cuidar para que a história sempre seja lembrada e vista com orgulho, e a cultura é o grande instrumento de comprovação da evolução do homem, da qual ele jamais poderá prescindir."
Srs. deputados, além da homenagem que prestaremos aqui, também estamos fazendo uma divulgação no rádio em prol do tradicionalismo. Eu queria dizer que ele contribui, sobremaneira, com relação à família e à sociedade. Como disse, é a única atividade que consegue reunir a família, é a única atividade na qual encontramos lá o pai, a mãe, o filho, o neto, o bisneto, todos confraternizando num domingo de atividades. Vemos isso no oeste, na serra catarinense, no planalto norte e no litoral de Santa Catarina.
Hoje damos um exemplo aqui: a cidade de Joinville, em menos de dez anos, já possui 28 CTGs. Temos CTGs em Camboriú, em Itapema, enfim, em todas as cidades existe um Centro de Tradição Gaúcha.
Então, fazemos esse esclarecimento para dizer que a cultura é nossa, que o gauchismo catarinense é de Santa Catarina. Mas não queremos, de maneira alguma, desprestigiar o gauchismo lá do Rio Grande do Sul, porto-alegrense ou rio-grandense. Aqui em Santa Catarina somos gaúchos pela origem, pela nossa vida, pela nossa tradição. A nossa essência é a origem do campo, é a origem da lida do gado, principalmente na serra catarinense. E aqui, na região da Grande Florianópolis, também a lida do gado e do cavalo se fazem presentes no dia-a-dia.
Com essa constatação, com essa colocação e com essa justificativa, queremos mostrar a todos que a homenagem será pertinente e importante. Portanto, faremos aqui, no dia 19, uma homenagem maravilhosa, sr. presidente, com uma cavalgada na cabeceira da ponte, quando uma equipe de cavaleiros, portando a bandeira nacional, a bandeira de Santa Catarina e a bandeira da cidade de Florianópolis, irá atravessar a ponte e depois virá para cá. E nesta Casa prestaremos uma homenagem e assim todos vão conhecer mais do tradicionalismo, pois enfatizando-o, justificando-o e mostrando-o ao povo, nós teremos a adesão a essa atividade maravilhosa, que é o tradicionalismo catarinense.
Muito obrigado, sr. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)