Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

78ª Sessão Ordinária - 11/09/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, srs. deputados, sras. deputadas, pessoas que nos acompanham através da TVAL, Rádio Alesc Digital e aqui presentes.

Quero fazer referência a dois fatos históricos. Hoje faz 40 anos do golpe militar no Chile, quando um presidente eleito pelo povo, Salvador Allende, foi destituído do poder por um conluio de alguns generais com agentes do governo dos Estados Unidos, tudo em nome da continuidade dos lucros de alguns monopólios empresariais daquele país do norte deste continente. O presidente eleito não só foi cassado, mas foi assassinado dentro do palácio, que foi bombardeado de forma vil, covarde e cruel pelos golpistas.

A ditadura brasileira não só apoiou o golpe contra Salvador Allende, no Chile, mas ajudou a montá-lo. O serviço de inteligência da ditadura militar brasileira ajudou a arquitetar o golpe no Chile, assim como a inteligência dos Estados Unidos havia ajudado meia dúzia de generais gorilas do Brasil a dar o golpe de 1964.

Nesta data, então, queremos manifestar o nosso repúdio a todos os gorilas do mundo e a nossa saudação efusiva a milhares de companheiros que tombaram combatendo o bom combate em nome da libertação dos povos.

O outro aniversário de hoje é o atentado da Al-Qaeda, do Osama Bin Laden, aos Estados Unidos, onde morreram mais de três mil pessoas, há exatos 12 anos. A mesma Al-Qaeda que agora é aliada dos gringos lá na Síria. Sim, a Al-Qaeda está na oposição ao governo da Síria e sendo armada, equipada e financiada por diversos países do mundo, inclusive pelo governo dos Estados Unidos.

Então, são curiosidades da história sobre as quais precisamos refletir, deputado Serafim Venzon. Exatamente a Al-Qaeda, cujo líder máximo, Osama Bin Laden, eles dizem que mataram há algum tempo no Paquistão. Sinceramente, conhecendo esses canários, esses abutres, melhor dizendo, tenho bastante razão para duvidar dessa informação.

Mas quero, sr. presidente, voltar ao assunto do qual falei ontem, ou seja, a minha conturbada relação com a direção estadual do PDT. Conturbada talvez seja uma palavra suave demais para expressar essa relação.

A direção provisória atual do PDT de Santa Catarina, no dia 14 de dezembro do ano passado, decidiu formar uma comissão de ética para avaliar a conduta deste parlamentar. Na mesma reunião, deputado Taxista Voltolini, a direção deliberou que o PDT de Santa Catarina gostaria de participar do governo Raimundo Colombo. Não posso, é claro, deixar de ver a relação de uma coisa com a outra e por isso consideraram que a minha presença no partido era inconveniente em função do pleito de 2014.

No começo deste ano eles instalaram a comissão de ética e informaram-me disso pela imprensa, com bastantes alfinetadas. Oficialmente, contudo, apenas no dia 11 de abril fui informado. A comissão de ética trabalhou 15 dias e mandou-me os resultados. E leio a parte final da decisão da comissão de ética do PDT:

"Tal situação prova que a autoria é positiva e que o representado de fato cometeu ato desonroso, imoral e infiel contra o Partido Democrático Trabalhista, ferindo de morte princípios universais, políticos e estatutários, ficando, desta forma, sujeito às sanções inerentes à matéria.

Obviamente que a expulsão ao mesmo é o caminho apresentado e necessário para que sua conduta seja estancada, pois lamento que um homem que se diz comunista e detém princípios socialistas tenha uma conduta tão desonrosa.

Neste norte, o meu voto é no sentido de encaminhar à Executiva Estadual a recomendação de expulsão do representado, vez que a autoria e a materialidade estão, sem sombra de dúvidas, comprovadas."

A conduta desonrosa, infiel e imoral a que se refere é por eu não ter concordado com o apoio a Dário Berger, em Florianópolis e a Djalma Berger, em São José. E quem diz isso são os mesmos dirigentes do partido que já estão dizendo que querem participar do governo encabeçado pelo partido que foi oposição a Dário Berger na eleição municipal. A mesma direção estadual que dois anos antes já aderira de forma apaixonada à candidatura ao governo de Angela Amin, também adversária de Dário Berger. Um mês antes disso, o PDT saíra do governo do PMDB num dia e no mês seguinte já estava apaixonado à primeira vista por Angela Amin, embora se conhecessem há 30 anos.

O que nós temos na realidade? Nós temos um partido que, rasgando a tradição brizolista e trabalhista, tem-se tornado a cada dia mais fisiológico. De um mês para outro, de uma semana para outra muda completamente de horizonte e é capaz virar de A para B, tudo em nome de alguns cargos, tudo para conseguir alguma participação no governo.

Dentro do PDT catarinense, como figura pública do partido em nosso estado, este deputado foi um dos únicos a defender efetivamente os princípios definidos no art. 1° do estatuto do partido. A defesa da luta dos trabalhadores, a defesa de uma sociedade justa, a luta pelo socialismo, tudo isso está lá no art. 1° do estatuto do PDT.

Então, eles estão propondo expulsar-me, só falta a batida do martelo do diretório provisório estadual, presidido pelo ministro Manoel Dias, que assinou esse documento depois de virar ministro, sentindo-se poderoso, mas por certo muito preocupado porque a Polícia Federal levou uma porção de computadores e documentos de dentro do ministério que ele administra.

Essa comissão de Ética é composta por aqueles que fizeram a acusação, ou seja, quem acusa, julga. São praticamente os mesmos, para fazer um trabalho que já havia sido anunciado pela imprensa meses antes que fariam. Eles, sim, têm sido infiéis a Leonel Brizola, ao art. 1º do estatuto do PDT.

Ofendem-me muito os termos "infiel", "imoral" e "desonroso" atribuídos a mim, porque todos esses termos cabem, na verdade, a eles. E, se for caso, serei expulso do PDT por não ter conseguido ser fiel aos infiéis que andam governando o partido segundo os seus interesses pessoais, familiares e fisiológicos nos últimos tempos.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)