Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Volnei Morastoni

71ª Sessão Ordinária - 21/06/2012

O SR. DEPUTADO VOLNEI MORASTONI - Sr. presidente, deputado Reno Caramori, quero agradecer ao deputado Neodi Saretta pelo espaço no horário destinado ao nosso partido.

Quero aproveitar para me manifestar sobre um assunto que tenho evitado falar até para não prejudicar algumas tratativas que estão em andamento, mas há duas semanas estive participando de uma audiência pública em Chapecó, juntamente com a deputada Luciane Carminatti, representando a comissão de Educação desta Casa, também com a participação do deputado Dirceu Dresch e o deputado Cláudio Vignatti. Foi uma audiência muito ampla, com a participação do povo do oeste de Santa Catarina, em função da reivindicação da abertura de um curso de Medicina na Universidade da Fronteira Sul, instalada em 2009, no governo do presidente Lula, quando tivemos essa importante conquista para a região oeste catarinense, cujos campi estendem-se do Paraná a Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, mas tendo a reitoria em Chapecó. Então, surgiu a oportunidade porque a presidente Dilma Rousseff estava por anunciar novos cursos de Medicina nas universidades federais.

Então, seria muito importante para Santa Catarina conquistar um curso de Medicina na Universidade da Fronteira Sul, uma vez que temos somente um curso de Medicina público na UFSC, que dispõe 100 vagas por ano, que são muitíssimo disputadas, e temos por outro lado nove cursos privados, do sistema Acafe. Esses cursos privados de Medicina estão na UnoChapecó, Furb, Unoesc, Unisul/Tubarão, Unesc, Uniplac, Univale, Unisul/Palhoça, Univille. São nove cursos privados, mas temos somente um curso público federal. Era uma grande oportunidade, mas para nossa surpresa em vez de esse curso ser destinado para a Universidade da Fronteira Sul no campus de Chapecó, foi para Passo Fundo.

O Rio Grande do Sul já tem seis cursos federais de Medicina e já dispõe de 600 vagas por ano. Enquanto em Santa Catarina existem apenas 100 vagas. Então, há uma evidente disparidade na oportunidade de acesso aos cursos federais públicos de Medicina entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e também com o Paraná.

O Paraná dispõe em torno de 300 vagas por ano nos cursos públicos. Eu tive a minha feliz oportunidade de fazer o meu curso de Medicina na Universidade Federal do Paraná. E o Paraná dispõe de mais de 300 vagas em cursos públicos. O Rio Grande do Sul mais de 600 vagas, enquanto Santa Catarina apenas 100 vagas.

Portanto, mais do que justa, mais do que legítima reivindicação de Chapecó para que esse curso de Medicina fosse para o campus de Chapecó. Infelizmente, foi mais uma vez em favor dessa disparidade, contemplado o campus de Passo Fundo.

Portanto, agora, precisamos juntar força, e sei que essas forças estão sendo arregimentadas por várias movimentações, para que em breve possamos ter uma importante audiência junto ao governo federal, ao ministério da Educação e em outros espaços do governo federal, para que possamos conquistar uma parte, ao menos uma parte, de vagas federais para o curso de Medicina no campus de Chapecó, da Universidade Fronteira Sul.

Isso é importante, porque constatamos no dia a dia da saúde catarinense essa imensa disparidade que temos na distribuição dos serviços de saúde em todos os níveis e também na distribuição dos profissionais médicos, porque a grande concentração se dá na Grande Florianópolis e para o litoral norte, para a região de Itajaí, Blumenau, de Joinville. Essa é a grande concentração dos serviços de saúde em todos os níveis, principalmente de alta complexidade. E também 70% dos médicos catarinenses estão praticamente concentrados nessa região. É flagrante a falta de médicos especialistas no interior.

Agora, não quer dizer que os estudantes que virão para Santa Catarina, e poderão vir de outros estados brasileiros, vão somente por isso se fixar na região oeste. Mas será um ponto muito importante para uma universidade como a Fronteira Sul esse curso de Medicina público federal.

O curso vai propiciar que essa universidade tenha os hospitais, utilizando-se dos próprios hospitais da região, como o Hospital Regional de Chapecó e outros como hospitais escolas, fazendo com que esses estudantes também criem vínculo com a região.

A universidade, com esse curso de Medicina, vai se tornar um centro de pesquisa na tríplice função que uma universidade tem: ensino, pesquisa e extensão.

Nessa tríplice função da universidade, na área da Medicina vai propiciar centros de pesquisas e propiciar centros de referência não somente para formação de profissionais médicos, mas depois para residência médica, também para cursos de pós- graduação em vários níveis, que vai se tornando aquela região de Chapecó também um centro de referência em excelência na Medicina. E isso vai atraindo profissionais para que nós possamos também fixar profissionais médicos nesta região importante do oeste, do grande oeste e do meio-oeste do nosso estado, que vão se referenciar a partir desse curso de Medicina de uma universidade federal, com todas as possibilidades de investimento. Então, o nosso estado somente tem a ganhar.

Acho que é uma causa meritória e que vamos em breve tenho certeza conquistar mais esse curso de Medicina para Universidade Federal Fronteira Sul, do campus de Chapecó.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)