Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

38ª Sessão Ordinária - 10/05/2011

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, quero aproveitar a oportunidade para abordar alguns assuntos que dizem respeito a v.exas. também.

Nós temos as nossas limitações como parlamentares e procuramos de alguma forma, ou pelo menos, sugerir ao governo algumas iniciativas que entendemos beneficiar os catarinenses. Muitas vezes as respostas a essas solicitações acabam sendo evasivas. Elas não dizem coisa com coisa. Essa é a grande verdade.

Eu tenho um exemplo. Nós solicitamos através de uma indicação que fosse incluído no currículo escolar do ensino médio noções básicas sobre trânsito, cidadania e ética. Acho que é fundamental o adolescente, o pré-adolescente, ter uma noção básica sobre trânsito. A resposta foi muito bonita, muito educada.

(Passa a ler.)

"1. A Secretaria de Estado da Educação/SED orienta as Gerências de Educação e as escolas para que desenvolvam ações educativas sistemáticas sobre Educação para o Trânsito, Ética e Cidadania nas diversas disciplinas, como elemento constante de análise, reflexão e debates sobre a realidade dos educandos, nas atividades pedagógicas em sala de aula e na rua.

2. Nesse sentido, essas temáticas são trabalhadas por meio de seus desdobramentos em vários temas e subtemas, sendo, portanto, contemplada a solicitação da referida indicação. Portanto, a questão em baila constitui uma atividade permanente e de todos os professores da escola."[sic]

Uma beleza. Quem ouve, pensa que estão falando de trânsito dia e noite sem parar. E, na verdade, nós sabemos que esse assunto deveria ser tratado com mais seriedade, assim como as drogas, assunto que também deveria fazer parte dos currículos nas escolas de ensino médio.

Há outra sugestão que gostaria de fazer. O Brasil é o único país da América do Sul em que se fala português. Em todos os países à nossa volta fala-se espanhol. No entanto, quando recebemos os nossos irmãos da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, queremos que eles falem a nossa língua, porque estão na nossa terra.

Inclusive, um amigo meu botou para correr um argentino, um tempo atrás, da sua lanchonete. O Argentino pediu o lanche na sua língua e o meu amigo pediu para que falasse direito. O argentino então reclamou que o meu amigo deveria entender porque na América do Sul toda se fala espanhol. O meu amigo, então, colocou-o para fora, botou-o para correr. Mas, na verdade, se formos analisar esse aspecto de uma maneira redundante, nós estamos errados, porque somos o único país da America do Sul em que se fala o português. Nos outros se fala o espanhol.

Então, deveríamos ter, como princípio elementar nas escolas de ensino básico é médio, o ensino do espanhol para que, pelo menos, tivéssemos uma noção do espanhol. Por quê? Porque nós estamos numa América do Sul onde todos falam espanhol. Essa é a grande verdade. No entanto, prioriza-se, muitas vezes, o inglês. Eu acho que deve haver nas escolas o ensino do inglês. É difícil um pai de classe média hoje que não dê ao seu filho um curso de inglês numa escola particular. Normalmente arca com essa despesa para que o filho aprenda inglês.

Nós deveríamos ter consciência da importância de ensinar aos filhos também o espanhol para que pelo menos entendam a língua, até porque convivemos muito mais com o espanhol do que com o inglês.

Dito isso, sr. presidente, eu ainda teria um outro assunto a tratar, que diz respeito à economia deste país. Quero apenas deixar registrada a constatação de que nos últimos anos o Brasil cresceu quanto às exportações de matéria prima. Quanto aos produtos manufaturados, aos produtos acabados, aqueles que dão realmente um ganho maior, nós perdemos. Estamos perdendo bastante.

Escutei hoje, ainda, em uma rádio, enquanto viajava, que a Azaléia está fechando uma de suas fábricas justamente pelo problema da competitividade com o exterior. Estamos cada vez melhores na questão de exportação de matéria prima, de produto bruto. A China, hoje, é o maior comprador da nossa matéria prima, principalmente de minério. Mandamos para lá o minério e depois compramos deles o produto que eles fabricam, por um preço muitas vezes abaixo do que o produzido na indústria brasileira.

Essa é uma situação que nos preocupa. Nós, como parlamentares, temos que ser ouvidos também, temos que levar adiante essa preocupação, porque o problema vai, mais cedo ou mais tarde, atingir todos, se continuarmos nessa tocada de exportar matéria prima em prejuízo inclusive das indústrias no Brasil.

É um assunto importante, complicado, inclusive de se falar. Eu não sou economista, mas é uma preocupação que tenho como cidadão comum. E acredito que v.exas. também a tenham.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)